PF crê ter localizado ossada de desaparecido

Características de restos encontrados no Cemitério Vila Formosa reforçam suspeita de que corpo seja do militante Sérgio Correia, da ANL

Fausto Macedo / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2010 | 22h29

O desconhecido número 3700 pode ter sido localizado em uma sepultura no Cemitério Vila Formosa, zona leste de São Paulo. Peritos da Polícia Federal que buscam vestígios de pelo menos dez desaparecidos políticos no maior cemitério do País encontraram na tarde de quinta-feira, 2, uma ossada que seria do militante Sérgio Correia, da Ação Libertadora Nacional (ALN).

 

Correia morreu em uma explosão de carro na Rua da Consolação em 4 de setembro de 1969. O cadáver do guerrilheiro foi registrado em laudo do Instituto Médico-Legal (IML) como desconhecido número 3700.

 

"É uma ossada incompleta, o que bate com o tipo de morte de Sérgio, por explosão do carro que ele ocupava", diz a procuradora da República Eugênia Fávero. "Mas ainda são poucos os indícios, não se pode afirmar nada."

 

A inspeção no Vila Formosa foi intensificada esta semana, sob coordenação do Ministério Público Federal e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

 

Na atual quadra 47, antiga 50, os peritos tentaram definir a exata localização das sepulturas de dois desaparecidos, Virgílio Gomes da Silva, o comandante Jonas, e Sérgio Correia.

 

O trabalho foi realizado mediante análise de fotos do cemitério nos anos de 1968 e 1972, pesquisas de solo com radares, revisão de livros de registros de sepultamentos e depoimentos.

 

Procuradores federais suspeitam que em 1975 o Formosa passou por um processo de adulteração em que várias sepulturas foram suprimidas – uma operação oculta de remanejamento.

 

Os peritos do Instituto Nacional de Criminalística da PF e técnicos do IML exumaram os restos mortais que seriam de Correia. A ossada será submetida, na última semana de dezembro, à antropometria forense – comparação de dados. Depois, passará por DNA.

 

Em nota, o Ministério Público Federal destacou que não foram realizadas esta semana tentativas de exumação de Virgílio Gomes da Silva, "pois há dúvidas sobre a localização da sepultura". Segundo a procuradoria, "a equipe de peritos trabalha com nove possibilidades" de identificação da sepultura que seria de Jonas.

 

Ainda segundo a procuradoria, "como as indicações da sepultura suspeita de corresponder à de Sérgio Correia eram menos incertas, a equipe de peritos se dedicou à exumação da ossada deste local".

 

A procuradora Eugênia e o procurador regional da República Marlon Alberto Weichert querem que no Vila Formosa seja erguido um memorial em homenagem aos desaparecidos. Os peritos também estão tentando identificar ossadas encontradas no cemitério de Perus. Ontem, eles colheram para exames de DNA material genético dos restos mortais que seriam dos militantes Aylton Adalberto Mortari e Luís Hirata, mortos em 1971.

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