PF continua no Estado para garantir segurança

Decisão do STF determina permanência da polícia, que agora vai instalar acampamentos dentro da reserva

Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

12 de abril de 2008 | 00h00

A Polícia Federal decidiu manter em Roraima os 500 homens que mobilizou para a operação de retirada dos não-índios da terra indígena Raposa Serra do Sol - temporariamente suspensa por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A partir de segunda-feira eles serão enviados para o interior da reserva, onde instalarão acampamentos e postos de atendimento policial. "Nossa missão agora não é retirada de ninguém, mas sim garantir lei e a ordem dentro da reserva", disse o responsável pela Operação Upatakon 3, delegado Fernando Segóvia. "Isso foi determinado pelo Supremo, na mesma decisão em que suspendeu a operação de retirada."A decisão foi vista com desconfiança pelos arrozeiros. Na opinião de seu principal líder, João Paulo Quartiero, depois de ter sido derrotado pelo Supremo, o Ministério da Justiça - ao qual estão vinculadas a PF e a Fundação Nacional do Índio - estaria procurando outros meios para sufocar os fazendeiros. "O próximo passo vai ser a aplicação de multas pelo não-cumprimento da legislação ambiental. Vão tentar frear a colheita do arroz, que começa em dez dias", afirmou. "Não conseguiram nos expulsar pela força e agora querem nos sufocar."VISTORIAOntem pela manhã, um helicóptero da PF sobrevoou as fazendas dos arrozeiros. Um de seus passageiros era o analista ambiental Frederico Fonseca, representante do Ibama na Operação Upatakon 3. Ele procurava indícios de desrespeito às leis ambientais, principalmente nas áreas de preservação permanente."Por meio de imagens de satélite, temos indicações de supressão indevida da vegetação do lugar e de ocupação de áreas de preservação permanente", disse Fonseca ao Estado. Ele também lembrou que Quartiero hoje enfrenta um processo administrativo, iniciado em 2005, por corte não autorizado de vegetação.Na superintendência da PF, em Boa Vista, circulavam comentários de que os arrozeiros da região também desrespeitam normas sobre o uso da água dos rios - pela qual não pagariam nada para irrigar seus arrozais. Para Quartiero isso também faz parte do plano de sufocamento dos arrozeiros: "É uma conspiração. Ninguém paga pela água no Brasil, porque essa legislação ainda não pegou. E no Estado de Roraima ela nem foi implantada ainda."Em Boa Vista, num terreno da Cobal, os agentes da PF voltaram a repetir ontem treinamentos de operação antimotim. O uso de bombas em supostos ataques de amotinados tem irritado a população vizinha ao local dos treinos. Com a decisão de enviar os agentes para o interior da reserva, porém, a tranqüilidade dos vizinhos deve voltar. No interior da reserva, uma das tarefas dos policiais será esclarecer a população sobre o objetivo da Upatakon - expressão da língua macuxi que significa "nossa terra". Segundo Segóvia, os policiais também ajudarão a negociar possíveis conflitos que podem eclodir envolvendo grupo indígenas e não-indígenas.Outra tarefa será investigar a autoria dos crimes contra o patrimônio público, tais como a destruição de pontes na BR-433 - uma estrada de 27 quilômetros recoberta de cascalho que liga a BR-174 ao Distrito de Surumu, o lugar os não-indígenas e índios aliado se reuniram com o objetivo de deter o avanço da polícia. Ontem finalmente a polícia entrou em Surumu - onde os grupos contrários à demarcação haviam montado barricadas e destruído pontes. Foi um grupo de 40 homens, da PF e da Força de Segurança Nacional.

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