PF termina buscas na sede da J&F, controladora da JBS

Agentes ficaram quase seis horas no local; prédio é onde funciona a empresa Eldorado, alvo da ação suspeita de pagar propina a Cunha envolvendo aportes do FI-FGTS

Camila Turtelli e Pablo Pereira, O Estado de S. Paulo

01 de julho de 2016 | 11h46

SÃO PAULO - Após quase seis horas de busca, a Polícia Federal deixou o prédio da Eldorado Brasil, na sede da empresa controlada pela holding J&F. A operação faz parte da Operação Sépsis, nova fase da Lava Jato. Mais cedo, os federais também estiveram na casa do presidente da J&F, Joesley Batista, nos Jardins, bairro nobre de São Paulo. Três carros oficiais saíram pela porta principal da sede e ninguém conversou com a imprensa.

Na delação que embasou a operação de hoje, o ex-vice-presidente da Caixa Fabio Cleto afirmou que Eduardo Cunha ficou com 1% de negócio de R$ 940 milhões aprovado pelo FI-FGTS com a Eldorado. Fabio Cleto contou que a negociação do aporte da Eldorado foi feita com o controlador da J&F, Joesley Batista, supostamente apresentado a ele por Funaro num jantar na casa do operador financeiro.

Mais cedo, fontes afirmaram que os policiais estavam analisando papéis, sem especificar detalhes. O prédio abriga outras empresas controladas da J&F, entre elas, a JBS, que é detentora da marca Friboi. A JBS se manifestou nesta sexta-feira afirmando que não é alvo de operação da Polícia Federal. Em nota divulgada à imprensa, a Eldorado, empresa do setor de celulose, informou que desconhece as razões e o objetivo desta ação e que prestou todas as informações solicitadas. 

A JBS se manifestou nesta sexta-feira, afirmando que não é alvo de operação da Polícia Federal.

Em nota divulgada à imprensa, a Eldorado, empresa do setor de celulose, confirmou a operação de busca e apreensão em suas dependências. Informou, ainda, que desconhece as razões e o objetivo desta ação e que prestou todas as informações solicitadas. No entanto, anteriormente, a assessoria de imprensa chegou a afirmar que a procura estava direcionada a documentos relativos ao Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS).

A Polícia chegou à sede da empresa por volta das 6h desta sexta-feira, na Marginal Tietê, na Zona Oeste de São Paulo. A J&F foi citada em delação premiada do ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto. De acordo com ele, o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recebeu propinas em 12 operações de grupos empresariais que obtiveram aportes milionários do FI-FGTS.

Uma das propinas relatadas por Cleto refere-se à captação de recursos feita em 2012 pela Eldorado Brasil. O valor pleiteado inicialmente foi de R$ 1,8 bilhão para obras numa fábrica em Três Lagoas (MT), mas acabou reduzido para R$ 940 milhões. Nesse caso, Cleto disse acreditar que Cunha tenha recebido valor superior a 1% como comissão. Ele afirmou que sua parte foi de R$ 940 mil.

Além da Eldorado e JBS, a J&F controla ainda Alpargatas, Vigor, Banco Original, Oklahoma e Canal Rural.

A origem do nome Sépsis faz referência ao quadro de infecção generalizada, quando um agente infeccioso afeta mais de um órgão.

Recife. Na capital pernambucana, a Polícia Federal cumpriu três mandados de busca em endereços na praia de Boa Viagem e em Cabo de Santo Agostinho. 

Os alvos foram as empresas Moura Dubeux e Cone S/A. Na Cone e em dois apartamentos dos respectivos empresários, a PF coletou equipamentos e documentos junto a três procuradores federais. A Moura Dubeux pertence a Marcos José Moura Dubeux e a Cone SA é presidida pelo filho dele, Marcos Roberto de Mello Moura Dubeux.

A operação no Recife movimentou 25 agentes e três procuradores federais, que participaram das buscas. Ninguém foi preso. A PF apreendeu 30 mil euros e US$ 53 mil dólares que estavam nos endereços. A Cone é empresa ligada ao grupo da Construtora Moura Dubeux e opera com investidores e também com o Fundo de Investimentos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI-FGTS).

Em nota, a Cone disse que irá se manifestar quando tiver conhecimento de todo o conteúdo da denúncia. "Neste momento, a companhia está à disposição das autoridades e colaborando para que todas as questões sejam esclarecidas o mais breve possível", informou.

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