PF conclui que Palocci foi mandante de violação de sigilo

A Polícia Federal concluiu que o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, foi o mandante da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa. Segundo a PF, o ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, foi co-autor da operação, agindo como executor. Nesta quarta-feira à tarde, o delegado Rodrigo Carneiro Gomes, que preside o inquérito, entregará os autos à Justiça Federal com pedido de mais 30 dias para outras investigações. Ao todo, o inquérito da PF tem sete volumes, com documentos, perícias e o depoimento de 31 pessoas, inclusive de Palocci, Mattoso e do ex-assessor de Comunicação de Palocci, Marcelo Netto.O ministro foi indiciado pela PF no dia 4 de abril, depois de prestar depoimento em sua casa, em Brasília. Ele alegou estar com problemas cardíacos para ser ouvido pelo delegado responsável pelo inquérito, Rodrigo Carneiro Gomes. "O ministro nega peremptoriamente e veementemente a quebra do sigilo. Ele não divulgou, não mostrou e não quebrou o sigilo do extrato", disse o advogado de Palocci, José Roberto Batocchio, durante uma entrevista, depois do depoimento.ContradiçãoOrientado pelos advogados, a defesa de Palocci entrou em contradição com o depoimento do ex-presidente da Caixa Jorge Mattoso, segundo o qual o pedido para a quebra do sigilo do caseiro teria partido do próprio ministro. Palocci admitiu ter recebido o extrato, mas atribuiu a Mattoso a iniciativa inicial pela quebra do sigilo.Diante do depoimento, a assessoria da Caixa contestou a versão apresentada pelo ex-ministro, enfatizando que a ordem para a quebra do sigilo partiu de fora da instituição, assim como a divulgação do extrato. "Não há nenhuma dissonância entre a versão do Palocci e do Mattoso", tentou argumentar Batocchio.A históriaA história contada pelo ex-ministro à PF foi a seguinte: no dia 16 de março, ele estava em uma reunião no Palácio do Planalto com o presidente da Caixa, que deixou o encontro mais cedo, dizendo que precisava falar com Palocci sobre planos de expansão internacional da instituição. Os dois combinaram uma conversa mais tarde.À noite do mesmo dia, o presidente da Caixa foi à residência de Palocci, onde também estavam o assessor Marcelo Neto e o secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Daniel Goldberg. De acordo com Batocchio, a conversa entre os dois ocorreu a sós e durou apenas cinco minutos, durante os quais Mattoso falou do interesse em abrir uma agência no Japão e entregou o extrato do caseiro, consultando se deveria encaminhá-lo ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).O ex-ministro teria respondido que o presidente da Caixa deveria agir de acordo com a lei, mas ficou com a cópia do extrato para analisá-la. "Ele recebeu o extrato, examinou no dia seguinte e, quando se preparava para devolvê-lo, recebeu a informação de que o Coaf já tinha sido comunicado", disse Batocchio.De acordo com o advogado, o ex-ministro não mostrou o documento para mais ninguém e o teria destruído com um triturador de papel. Ele informou ainda que Palocci estava com eletrodos no peito e na cintura durante seu depoimento e que deverá ser submetido a exames cardíacos.Conversas separadasSobre a presença de Neto e Goldberg na casa de Palocci, no mesmo dia e horário em que Matoso lá esteve, o advogado explicou que as conversas ocorreram separadamente e nada tiveram em comum. "Marcelo Neto e Goldberg estavam na casa para discutir a possibilidade de os processos de Ribeirão passarem ao Supremo Tribunal Federal (STF)", afirmou o advogado.Confrontado com outra explicação para o encontro apresentada à PF pelo secretário do Ministério da Justiça, de que Palocci teria lhe consultado sobre a possibilidade de a PF investigar o caseiro, o advogado admitiu que esse assunto também foi tratado. "Diante ad notícia de que havia um certo senador manipulando um funcionário humilde, o pedido se justificava", disse Batocchio.O advogado e seu sócio, José Roberto Leal, negaram-se a informar se haviam sido contratados pelo PT para defender Palocci. Alegaram sigilo profissional. O advogado não quis dizer se era o PT quem estava pagando a defesa do ex-ministro.

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