PF começa a ouvir depoimentos de envolvidos no dossiê FHC

Investigadores que acompanham confirmam que os primeiros chamados são servidores designados pela Casa Civil

Felipe Recondo, de O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2008 | 18h13

O delegado da Polícia Federal, Sérgio Menezes, começou, na quinta-feira a ouvir os depoimentos de envolvidos na montagem do dossiê com gastos dos cartões corporativos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Dois funcionários do Palácio do Planalto foram ouvidos. Investigadores que acompanham confirmam que os primeiros chamados são servidores designados pela Casa Civil para digitalizar as planilhas que continham os dados da gestão FHC.   Veja Também:   Entenda a crise dos cartões corporativos   'Estou preparada para ir a comissão no Senado', diz Dilma Comissão rejeita convocação de Dilma para explicar dossiê Oposição fura o cerco e Dilma terá de explicar dossiê no Senado Dossiê FHC: o que dizem governo e oposição PF pede a governo dados sobre segurança da Casa Civil PF abre inquérito para apurar vazamento de dados de FHC Dossiê com dados do ex-presidente FHC    Na próxima semana, os depoimentos continuam, mesmo sem o resultado da perícia nos primeiros sete computadores apreendidos pela PF na Casa Civil. Inicialmente, o delegado havia dito que esperaria a conclusão das perícias para começar a ouvir os funcionários. Além dessas sete máquinas, outros seis computadores recolhidos pela Polícia Federal ainda passarão por perícias. Elas eram usadas por esses servidores em suas atividades normais, quando não estavam fazendo o dossiê.   Nos primeiros computadores, de acordo com informações preliminares de peritos, não foi possível identificar o servidor responsável pelo vazamento. A perícia nos próximos computadores e os depoimentos são necessários, segundo policias, para que o servidor que vazou os documentos fosse apontado.   Além dos depoimentos, Menezes recebeu nesta semana o parecer do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Jorge Armando Félix, sobre o sigilo das informações contidas no dossiê. O teor do documento não foi revelado pelo delegado. Esse documento dirá se os gastos com cartões pelo ex-presidente e pela ex-primeira-dama eram secretos ou se poderiam ser divulgados sem qualquer empecilho.   Inicialmente, em entrevista coletiva no início deste mês, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que os dados eram secretos e o vazamento constituiria crime. Depois, porém, o governo passou a montar uma estratégia para descriminalizar o dossiê e evitar punições para os envolvidos. O que teria sido um crime, se as informações fossem sigilosas, passaria a ser uma infração administrativa.   Mesmo que o GSI diga que os dados não são secretos, como defendeu nos últimos dias o ministro da Justiça, Tarso Genro, o delegado não é obrigado a ter o mesmo entendimento. Ao contrário, na PF a interpretação da lei que trata do assunto é de que os gastos de ex-presidentes devem ser mantidos em segredo para que eventuais criminosos não tenham qualquer pista sobre fornecedores e hábitos de consumo da Presidência da República.

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