PF começa a ouvir Cachoeira e Waldomiro

A Polícia Federal vai ouvir hoje o bicheiro Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Amanhã será a vez do ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência Waldomiro Diniz. Os dois são os principais personagens do escândalo que abalou o governo e há grande expectativa em torno dos depoimentos, considerados vitais para tentar desvendar a amplitude das ações do lobby feito pela dupla. Os procuradores que investigam o caso temem, porém, que Waldomiro e Cachoeira aleguem que só falarão perante um juiz, se convocados. Essa estratégia tem sido utilizada por advogados que atuam em situações de crise. Quando defendia o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes, em 1999, o advogado Luiz Guilherme Martins Vieira - o mesmo de Waldomiro - recomendou a seu cliente que não falasse na CPI do Sistema Financeiro. Chico Lopes foi preso. A libertação veio após o pagamento de uma fiança de R$ 300. Para hoje está previsto o depoimento de Cacheira, que em 2002 gravou uma conversa com Waldomiro na qual o ex-assessor do governo pedia propina para ele e contribuições para campanhas eleitorais. Digitais O foco da investigação é a atuação de Waldomiro no governo Lula, e não o que ocorreu antes, nas eleições de 2002. Até agora, entretanto, nem a PF nem o Ministério Público conseguiram detectar as impressões digitais do ex-assessor palaciano na prorrogação do contrato milionário entre a Caixa Econômica Federal e a multinacional Gtech. Os encontros entre Waldomiro, Cachoeira e os executivos da empresa foram confirmados, assim como as tentativas de um acordo sobre as loterias nos Estados, mas nada comprova que a Caixa tenha realmente cedido ao lobby. O único indício levantado - de que o prazo de prorrogação de 25 meses foi o máximo permitido pela Lei de Licitações - é contestado por dois argumentos da diretoria do banco: primeiro de que a área de projetos especiais da Caixa ainda não concluiu, 10 meses depois de renovado o contrato, os testes para substituição do sistema de processamento de dados oferecido hoje pela Gtech; e segundo, e mais importante, que judicialmente o banco está impedido de iniciar qualquer licitação nesses serviços e que, quando vencer essa etapa, ainda precisará de pelo menos um ano para completar a conversão. "Entramos na negociação com a Gtech dispostos a impor uma melhoria nas condições do contrato, como fizemos, mas sabendo que teríamos de continuar com a empresa por um bom tempo ainda", diz o vice-presidente de Logística da Caixa, Paulo Bretas. Segundo ele, a Caixa conseguiu acordar com a multinacional que quanto maior fosse o prazo de prorrogação, maior seria o porcentual de desconto nos valores originais do contrato. O possível elo de Waldomiro com a cúpula da Caixa também é desconhecido. Os procuradores já investigaram alguns nomes de funcionários da Caixa que estiveram na mesma época que ele no governo de Cristovam Buarque no Distrito Federal (1995-1998), mas nada se confirmou.

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