PF checa arquivos apagados

Computadores de Protógenes são alvo de devassa

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

21 de janeiro de 2009 | 00h00

A Polícia Federal suspeita que foram apagados alguns arquivos da memória de computadores pessoais do delegado Protógenes Queiroz, criador da Operação Satiagraha, apreendidos por ordem judicial.Peritos federais trabalham na recuperação dessas informações. O resgate do conteúdo de discos rígidos e pen drives é uma tarefa complexa, mas possível. Tal procedimento já foi feito em outras investigações.A suspeita sobre a exclusão de dados surgiu a partir de uma análise preliminar das pastas criadas pelo delegado que comandou a missão contra o banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, condenado a 10 anos de prisão por crime de corrupção ativa e alvo de inquérito sobre suposto esquema de fraudes fiscais, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.A PF ainda não tem condições de afirmar que o conteúdo dos registros deletados é pertinente com a Satiagraha ou outra missão policial que Protógenes dirigiu. Seus computadores, celulares, pen drives e cartões de memória foram recolhidos na madrugada de 5 de novembro em 3 endereços, no Rio, em São Paulo e Brasília.O mentor da Satiagraha é suspeito de ter vazado informações secretas da operação. Inquérito da PF constatou que ele mobilizou pelo menos 84 agentes e oficiais da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para tocar a ofensiva contra Dantas. O inquérito é presidido pelo delegado Amaro Ferreira, da Corregedoria da PF. Protógenes nega ter mobilizado efetivo tão numeroso da Abin e sustenta que tal medida é legal.Os peritos também estão empenhados em desbloquear arquivos criptografados - cujo acesso só é possível a partir da identificação de senhas.Relatório de Análise de Mídias, documento com 28 páginas, indica que o delegado vigiou advogados, jornalistas, deputados e autoridades federais.Um arquivo identificado pelos peritos, e que Protógenes preservou, é o áudio de diálogo que ele manteve por telefone com o delegado Paulo de Tarso Teixeira, diretor de Combate a Crimes Financeiros. A conversa ocorreu em 9 de julho, um dia depois da Satiagraha, revelando a insatisfação da cúpula da PF com os métodos adotados por Protógenes na operação. Dias depois do telefonema, Protógenes queixou-se à Procuradoria da República de ter sofrido boicote de superiores no cerco a Dantas.Protógenes não retornou contatos feitos pela reportagem desde a semana passada. Fernando Gallo, advogado da Federação dos Delegados da PF, afirmou que Protógenes "respeita as prerrogativas dos advogados". Vicente Grecco Filho, criminalista que defende Protógenes, disse que não tem falado com o delegado. Ele explicou que ainda não teve acesso à perícia sobre os computadores.

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