PF capta assessora de Yeda conversando com investigada

Walna Willarins Meneses era interlocutora de uma pessoa investigada por fraudes em licitações públicas

Elder Oligliari, de O Estado de S. Paulo,

23 de maio de 2009 | 22h22

Escutas feitas pela Polícia Federal identificaram a assessora do governo do Estado Walna Willarins Meneses como interlocutora de uma pessoa investigada pela Operação Solidária, que apura possíveis fraudes em licitações públicas. A informação foi divulgada pelo jornal Zero Hora, que teve acesso a trechos do inquérito, na edição deste sábado, 23.

Partes dos diálogos, gravados nos dias 1º e 21 de julho de 2008, foram transcritas pelo diário gaúcho. No primeiro estão trechos em que a assessora, depois de saber que sua interlocutora Neide Bernardes, representante da Magna Engenharia, não iria a um banco naquele dia, quer saber se "aquele lá numa conta seria complicado" e recebe "é" como resposta. Na sequência, a assessora pergunta: "Eu vou ter a tempo?" e Neide responde "eu te ligo em seguidinha".

Em meio às falas do segundo diálogo, Walna diz que "teria que ser dois separados" e "preciso só 20". Ao final, Neide pergunta se deixa no mesmo lugar e a assessora responde "esse sim, e o outro do outro lado". No terceiro telefonema, Walna diz precisar de flores num arranjo só. "Tá bem", encerra a interlocutora.

Também citando relatório ao qual teve acesso, o jornal diz que analistas da Polícia Federal descreveram a situação como negociação de valores que teria sido feita por conversas cifradas. Ressalva, no entanto, que a negociação ainda não está esclarecida e que o caso segue em investigação.

O advogado da assessora, Norberto Flach, disse à imprensa gaúcha que a Polícia Federal fez interpretações especulativas e garantiu que sua cliente nunca tratou de recebimento de dinheiro. Também lembrou que a Polícia Federal não se interessou em ouvir Walna e considera isso um indicativo seguro de que ela sequer é investigada. O advogado de Neide, Felipe Oliveira, não se manifestou alegando que, por determinação judicial, os documentos estão em sigilo.

Walna não tinha suas ligações monitoradas e só apareceu no caso porque conversou com um interlocutor interceptado com autorização da Justiça. Ela é uma das assessoras mais próximas e discretas da governadora, tendo o papel oficial de elaborar a agenda de Yeda Crusius.

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