PF apura se ex-secretário de Palocci era ligado a Waldomiro

A Polícia Federal vai aprofundar as investigações sobre as empresas de Rogério Buratti, ex-secretário da Prefeitura de Ribeirão Preto (SP), demitido em 1994 pelo então prefeito Antônio Palocci, atual ministro da Fazenda. Buratti foi apontado por dois dirigentes da multinacional Gtech como parceiro do ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz, na tentativa de dar um golpe na empresa, por ocasião da renovação do contrato de operação das loterias com a Caixa Econômica Federal.Entre as empresas já mapeadas pela PF estão a empreiteira Leão Leão, que possui contratos com várias prefeituras petistas, e a Assessorarte, especializada em consultoria. grupo Leão Leão atua em mais de 100 cidades do interior de São Paulo e Minas Gerais. Já há indícios de que Buratti e as empresas do grupo contribuíram com as candidaturas de vários políticos, incluindo as campanhas de Palocci para deputado federal (1998) e para prefeito de Ribeirão Preto (2000).CorrupçãoA assessoria do ministro confirmou que Buratti foi secretário de Palocci. Após Buratti ser demitido por envolvimento com denúncias de corrupção, os dois nunca mais trabalharam juntos. Investigado por uma CPI, Buratti foi acusado de agir como intermediário na distribuição de obras públicas. As denúncias valeram uma condenação no Tribunal de Contas na gestão de Palocci. Contratado pouco depois de sair da prefeitura, Buratti teve papel vital no crescimento da Leão Leão, ampliando a carteira de contrato com administrações petistas.O ex-presidente da Gtech Antônio Carlos Rocha e o atual diretor de marketing, Marcelo Rovai, contaram à PF, durante depoimento na sexta-feira, que Waldomiro tentou impor o nome de Buratti como consultor da multinacional na renovação do contrato com a Caixa. Informaram ainda que Buratti tentou primeiro fechar uma comissão entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões. Depois, baixou o pedido para R$ 6 milhões. O contrato com a Caixa só foi renovado em maio do ano passado, sem o pagamento a Buratti, e vai render R$ 600 milhões à Gtech."História sem pé nem cabeça"Em Ribeirão Preto, Buratti disse que nunca teve vínculo com a Gtech. "É uma história sem pé nem cabeça", afirmou. Ele confirmou apenas que, em março de 2003, teve uma reunião de cerca de 30 minutos, em Brasília, com Marcelo Rovai, da Gtech, e um advogado da empresa (só sabe que o nome é Enrico), mas que o assunto acabou ali. "Eles me perguntaram se eu tinha interesse e condições de intermediar o processo com a Caixa para renovar os contratos. Eu disse que não tinha interesse nem relacionamento com a Caixa e que também não atuava mais nessa área de consultoria", garantiu. Ele disse que nunca tinha ouvido falar do nome de Waldomiro Diniz até a divulgação da fita na qual o ex-assessor do ministro José Dirceu pede dinheiro ao um empresário de loterias. Na sexta-feira, pouco depois do depoimento dos dirigentes da multinacional Gtech prestado à Polícia Federal, uma reunião fora de agenda foi realizada no Palácio do Planalto, à noite, comandada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os ministros da Casa Civil, José Dirceu, e da Comunicação de Governo, Luiz Gushiken, estavam presentes. Palocci, que acabara de chegar de um compromisso no Rio, foi convocado. Sem interferência externaNa noite desta sábado, a Caixa Econômica Federal divulgou uma nota para negar a existência de interferência externa no processo de negociação com a empresa Gtech.?O vice-presidente Paulo Bretas, que coordenou a equipe técnica da Caixa, já declarou publicamente que não conhece e nunca teve contato com o sr. Waldomiro (Diniz, ex-assessor do ministro Dirceu) ou algum emissário seu?, diz a nota.

Agencia Estado,

13 de março de 2004 | 20h40

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