PF apura remessas pela ''conexão Peru''

Altos valores seriam enviados com apoio de executivos da empreiteira

FAUSTO MACEDO e MARCELO GODOY, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

A Polícia Federal investiga o que chama de "conexão Peru", um suposto esquema de envio de grandes quantias de dinheiro em espécie para aquele país por executivos da Camargo Corrêa. Dois executivos da empresa que trabalham naquele país são citados em conversas interceptadas pela PF do doleiro Kurt Paul Pickel, um dos presos na Operação Castelo de Areia. Pickel era o responsável por arrebanhar, segundo as acusações, outros doleiros que enviaram ilegalmente para o exterior dinheiro de quatro diretores da construtora.O Estado procurou a Camargo Corrêa, mas a empresa informou que só se manifestará na Justiça. A defesa dos executivos nega as acusações. A "conexão Peru" passou a ser investigada depois de a PF ter detectado o que diz ser "fluxo cambial e financeiro ilegalmente operado com relação a obras da Camargo Corrêa em andamento naquele país". Em uma escuta ambiental feita pelos federais, Pickel foi surpreendido dizendo que "o cara do Peru vai receber mais 500 mil dólares". Segundo a PF, Pickel diz que "o cara quer em papel", ou seja, em dinheiro. A conversa ocorreu em fevereiro deste ano. O interlocutor do doleiro não foi identificado.Um dos executivos sob investigação é Reinaldo Libulinsky, conhecido como Benito ou Koby. Seu nome é mencionado como "destinatário de entregas de dinheiro dos doleiros Paco e Raul". Segundo relatório da inteligência da PF, "Benito" estaria aguardando a entrega de dinheiro num hotel. "Suspeita-se de que, por meio dele, Kurt enviaria dinheiro a Aristóteles (Aristóteles Santos Moreira Filho, o outro executivo da empresa no Peru), objetivando o envio de dinheiro ilegal ao Peru".O esquema de remessas ilegais para o exterior que seria coordenado por Pickel se utilizaria do chamado dólar-cabo. Pickel, que trabalhava em São Paulo, controlaria outros três doleiros que fariam as remessas para o exterior por meio de empresas laranjas.A investigação que redundou na Castelo de Areia nasceu de outra operação da PF, a Downtown. Em agosto de 2008, 15 pessoas foram presas em três Estados pelos delegados que, pela primeira vez, detectaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) usando doleiros para efetuar pagamentos entre os integrantes da facção.

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