PF apreende documentos da esposa de Barbalho

A Polícia Federal apreendeu uma pasta com movimentação de debêntures no escritório de Maria Auxiliadora Barra Martins da empresa Centeno & Moreira - pertencente à Márcia Cristina Zaluth Centeno, mulher do presidente do Senado, Jader Barbalho - e de José Osmar Borges, ex-sócio de Cristina em uma fazenda e acusado de desviar R$ 133 milhões de financiamentos da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). No mesmo documento estão também as movimentações dos irmãos Soares, aliados políticos de Barbalho em Santarém, e que também são acusados de fraudes contra a Sudam. Márcia pode ser convocada a depor em Tocantins, onde tramita a maior parte do inquérito sobre o caso. Segundo a Sudam, a empresa de Márcia Cristina, que é sócio do pai e de uma prima, recebeu dinheiro do Fundo de Financiamento da Amazônia (Finam) para construir um ranário para criar rãs e exportar. Foram liberados em torno de R$ 6,8 milhões, mas a própria Sudam afirma que somente 20% dos recursos foram aplicados no empreendimento. A pasta foi encontrada numa busca feita pela PF e Ministério Público federal na AME, o principal escritório de consultoria de Maria Auxiliadora, ex-funcionária da Sudam, que é acusada de comandar o esquema de fraudes em projetos. Somente nos últimos quatro anos, ela conseguiu liberação de recursos para 68 projetos, totalizando quase R$ 250 milhões. Maria Auxiliadora foi presa na semana passada, sendo libertada cinco dias depois, por meio de habeas-corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal (TRF).Segundo procuradores que estão trabalhando nas investigações das fraudes na Sudam, a pasta confirma o envolvimento da mulher do presidente do Senado com Maria Auxiliadora, que figurava como contadora da empresa de Márcia Cristina. Além disso, poderá comprovar uma relação maior entre a mulher do senador, José Osmar Borges - de quem Jader foi sócio em uma fazenda no Pará -, Maria Auxiliadora e a família Soares - Romildo Onofre, José Soares Sobrinho e Sebastião José Soares - que nos últimos dois anos, recebeu R$ 18,1 milhões da Sudam para projetos considerados irregulares em Tocantins, Amapá e Pará.Os documentos apreendidos em Belém foram enviados para Tocantins na sexta-feira e serão abertos esta semana. São mais de 1.250 quilos de papéis, encontrados nos escritórios de Maria Auxiliadora e Geraldo Pinto da Silva. Os dois são acusados de liderarem todo o esquema de fraudes dentro da Sudam. Depois da análise dos documentos encontrados na pasta, Márcia Cristina poderá ser convocada a depor.

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