PF aponta investigação para família de Jader

A Polícia Federal está mudando a direção das investigações sobre a venda de Títulos da Dívida Agrária (TDAs), em que o empresário Vicente de Paula Pedrosa da Silva é acusado de intermediar as negociações em nome do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA).Agora, a apuração do caso se voltará para parentes e assessores do senador. Tanto é que a PF estuda a quebra de sigilo bancário da deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), ex-mulher de Jader e de seu pai, Laércio Barbalho.Na próxima semana, as investigações serão em Belém, onde começou o episódio das TDAs com a desapropriação irregular da fazenda Paraíso, em Viseu, interior do Estado.Um dos envolvidos no caso, o ex-deputado Antônio César Pinto Brasil, secretário do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na época em que Jader era ministro da Reforma Agrário, será interrogado sobre a transação, que lhe rendeu uma condenação de cinco anos de prisão, junto com Vicente de Paula, também condenado a seis anos.Os dois recorreram da sentença. Além de Antônio Brasil, será ouvida a ex-secretária de Planejamento do Pará e atual assessora de Jader, Maria Eugênia Rios.A PF quer saber qual o grau de envolvimento da mulher, já que tem detalhado toda a participação do ex-deputado no caso.Brasil também foi secretário no primeiro governo de Jader e trabalhou com o senador no Ministério da Previdência Social, no governo Sarney.Dois ex-funcionários do Incra ? Raimundo Hugo de Oliveira Picanço e Luiz Fernando da Silva Munhoz ? podem ser ouvidos novamente, assim como o advogado Paulo Lamarão, desafeto de Jader e um dos autores da denúncia das TDAs, na época.A partir da decisão da Justiça Federal de autorizar a quebra de sigilo bancário do ex-banqueiro Serafim Rodrigues de Morais, sua mulher Vera Arantes e de Vicente de Paula, a PF poderá também fazer o mesmo em relação à deputado Elcione Barbalho, que era mulher de Jader na época em que ele era ministro.Ela foi sócia do marido em alguns negócios, assim como o pai do senador, Laércio Barbalho ? que também é seu suplente ? que gerencia parte dos negócios da família.Além disso, depois do resultado das investigações em torno dos depósitos de US$ 1,9 milhão feitos pelo ex-banqueiro e sua mulher na conta de Vicente, a PF poderá pedir a quebra de sigilo do senador Jader Barbalho.Até o final da tarde desta sexta, a Justiça Federal não se havia pronunciado sobre a quebra de sigilo pedida pelo delegado Luiz Fernando Ayres Machado, que preside o inquérito das TDAs.O Ministério Público Federal, em seu parecer, sugeriu apenas que fosse feita a devassa bancária de Vicente. Os três, segundo o corregedor do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), devem sofrer uma acareação, já que há contradições nos depoimentos de todos, até agora.O ex-banqueiro, sua mulher e o empresário já foram interrogados tanto por Tuma quanto pela PF. O delegado Ayres Machado não foi encontrado nesta sexta para confirmar a data do depoimento de Jader, mas fontes da PF acreditam que somente após ouvir os demais envolvidos é que o presidente do Senado será interrogado.Por ser senador, ele pode escolher o local, o dia e a hora para falar. Entretanto, nesta sexta, agentes da Polícia Federal estiveram no Senado para notificá-lo, mas sua assessoria informou que ele havia viajado para Belém.Nesta sexta, o Ministério Público Federal começou a investigar as denúncias feitas pelo engenheiro José Tadeu Ferreira da Cruz, de que a fábrica de Cimentos Brasil (Cibrasa), que recebeu recursos da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ajudou na campanha política de Jader Barbalho.Os procuradores só irão apurar os fatos relacionados aos recursos, mas a parte relacionada ao presidente do Senado será encaminhada ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro.

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