PF amplia investigações em Foz do Iguaçu

As investigações sobre a existência de células terroristas ou de grupos políticos com ligações internacionais na região da chamada Tríplice Fronteira (Brasil/Paraguai/Argentina) foram intensificadas nesta semana, depois da descoberta de mais uma central telefônica clandestina em Foz do Iguaçu (PR). A central era operada por três croatas - dois deles identificados como Ivan Balik e Darko Krcelic-Kusic - que entraram clandestinamente no Brasil.Na central, foi encontrado uma saco com pó branco que está sendo analisado pela Polícia Técnica e pela Vigilância Sanitária de Foz do Iguaçu. "A nacionalidade deles é uma novidade na região, e aponta para novas linhas de investigação", disse o delegado da Polícia Federal Joaquim Mesquita.A central, descoberta no final da semana, funcionava no Edifício Grand Prix, no centro de Foz do Iguaçu, e foi descoberta a partir de uma denúncia anônima. Seis telefones da central estavam instalados em um dos apartamentos do prédio. De um apartamento vizinho, os croatas operavam os aparelhos com telefones sem fios. A Polícia Federal suspeita que os apartamentos foram alugados com documentos falsos.Durante a operação, comandada pelo delegado federal Clayton Eustáquio Xavier, foi apreendido um grande número de cheques com diferentes valores, dezenas de contas telefônicas com ligações para diversos países do mundo, várias cartas - algumas delas de amor e uma escrita em árabe - e o saco plástico com o pó branco.A Polícia Federal investiga a possibilidade da existência de uma conexão entre a central dos croatas e as outras duas descobertas na região nos últimos dois meses. As outras centrais eram operadas por homens de origem árabe. Em outubro, outras quatro centrais foram descobertas em Maringá, região norte do Paraná. A Justiça Federal decretou a quebra do sigilo de todos os telefones das centrais. "A documentação já está chegando até nós", informou o delegado Mesquita. Os números para os quais foram feitas ligações no exterior estão sendo investigados pela Interpol.A Polícia Federal deverá pedir também a quebra do sigilo bancário de todos os emitentes dos cheques apreendidos na central operada pelos croatas. "Podem ser que eles se serviam das centrais para conseguir fazer ligações a preços muito baixos para o exterior, mas sabiam que o ato era ilícito e deverão ser investigados", afirmou Mesquita.

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