PF ajudará na investigação de assassinato de sem-terra em PE

A Polícia Federal vai participar das investigações do assassinato de três integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocorridas esta semana em Pernambuco. O anúncio foi feito neste sábado pelo secretário nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, que veio ao Estado acompanhar o enterro dos irmãos Francisco Manoel de Lima, 28 anos, e Edílson Rufino da Rocha, 36, mortos a tiros na manhã da última sexta-feira no município de Passira, na Zona da Mata Norte. A terceira vítima, Josuel Fernandes da Silva, 29, foi assassinada na última quarta-feira, na cidade de São José da Coroa Grande, litoral Sul do Estado.Durante entrevista coletiva concedida na Base Aérea do Recife, Miranda lamentou as mortes e fez críticas à Polícia Civil pernambucana. "Os fatos são muito graves. No caso de Passira, pareciam mesmo mortes anunciadas. As vítimas haviam procurado o aparelho do Estado para denunciar as ameaças e mesmo assim elas se concretizaram", salientou Nilmário ao se referir ao fato de que Francisco e Edílson haviam registrado queixa na delegacia do município afirmando estarem sofrendo ameaças de morte. Os irmãos eram testemunhas em um inquérito que investiga a atuação de milícias armadas na região. Segundo fontes ligadas a Secretaria Estadual de Defesa Social, as declarações do secretário nacional de Direitos Humanos causaram mal estar entre a cúpula da Polícia Civil pernambucana. Inicialmente, a PF acompanhará as investigações iniciadas pela Polícia Civil pernambucana, mas o secretário de Direitos Humanos não descartou a transferência da competência do caso para a PF. ProtestoRevoltados com o assassinato dos irmãos Edílson e Francisco, cerca de 600 pessoas ligadas ao MST invadiram a Fazenda Recreio, na zona rural de Passira, onde os irmãos assassinados estavam acampados até o mês passado. Ocupada desde 2003, a propriedade - com cerca de 700 hectares, é disputada por 200 famílias que integram o movimento. Programado para ser um protesto pacífico, com a realização de discursos e uma despedida simbólica dos sem terra mortos, o ato acabou assustando funcionários da fazenda e moradores da região. O protesto aconteceu uma hora antes do enterro das vítimas, realizado no cemitério municipal de Passira.De acordo com o coordenador estadual do MST, Jaime Amorim, a reação dos sem terra foi uma resposta a falta de segurança no campo. "Não se trata de vandalismo ou nada desse tipo. Foi uma reação indignada dos companheiros que não suportam mais tanta violência contra os trabalhadores. Este ano, cinco companheiros já foram assassinados e até agora ninguém foi sequer preso", reclamou Amorim.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.