PF agora investiga lobista no caso Usimar

A Polícia Federal está investigando um lobista, que atua em São Paulo, Brasília, Paraná e São Luís, que seria o responsável pela intermediação da aprovação do projeto Usimar Componentes Automotivos, que recebeu R$ 44 milhões da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) sem ter nunca sido implantado. O depoimento do lobista poderá esclarecer se o secretário de Ciência e Tecnologia do Maranhão, Jorge Murad, marido da ex-governadora Roseana Sarney, também estava envolvido na liberação dos recursos.Segundo fontes da PF, o lobista é suspeito de receber R$ 8 milhões como pagamento pela intermediação junto à Sudam. "Queremos saber se houve, ainda, interferência do governo do Maranhão nesta negociação", afirmou um dos investigadores. O inquérito que apura o desvio na empresa só deverá ser concluído na próxima semana, quando se encerram os depoimentos de 20 pessoas supostamente envolvidas nas fraudes.A atuação do lobista, cujo nome está sendo mantido em sigilo, fez com que a PF e o Ministério Público Federal estendessem as investigações para o Paraná, onde está sediada a New Hubner, empresa controladora da Usimar, e a Engeblon, firma de engenharia contratada para fazer as obras do projeto e que pertence ao genro do principal acionista do projeto, Teodoro Hubner. Um grupo de delegados e procuradores seguem nesta semana para Curitiba, onde centralizarão a apuração sobre o empreendimento.O lobista, segundo investigadores, teve seu nome citado em gravações feitas pela Polícia Federal em 2000, quando surgiram as suspeitas de fraude na Sudam. "Estamos fazendo um levantamento sobre a atuação desta pessoa, e já temos informações de que ela pode estar envolvida com outros projetos. Mas tudo, por enquanto, depende do que apurarmos no Paraná", afirmou um dos investigadores.Apesar de a PF guardar sigilo sobre o depoimento de Roseana Sarney, concedido na semana passada, fontes da instituição confirmaram que ela, ao responder a uma das perguntas do delegado Deuselino Valadares, acabou dando informações que podem fazer com que seja indiciada no inquérito. Valadares não quis comentar as investigações.

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