PF adia perícia do caso Renan

Faltam documentos importantes para elaborar laudo, justifica o delegado Geraldo Bertolo

Vannildo Mendes, O Estadao de S.Paulo

22 de julho de 2007 | 00h00

Uma sucessão de atropelos retardou mais uma vez a perícia, que devia ter começado ontem, nos documentos de defesa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele responde a processo no Conselho de Ética da Casa, sob a acusação de ter despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da Construtora Mendes Júnior. Ao abrir ontem as três pastas com os documentos, a Polícia Federal notou que ainda faltam papéis importantes para responder aos 30 quesitos da perícia. Por causa disso, o início dos trabalhos foi adiado para segunda-feira. Parte dos documentos em falta foi prometida pelo próprio Renan, para reforçar a defesa e o restante está sendo colhido por assessores do conselho enviados a Alagoas, nas secretarias da Fazenda e da Agricultura. O laudo será decisivo para o futuro de Renan, que pode ser cassado se não comprovar a origem de R$ 1,9 milhão que diz ter faturado com venda de gado, dinheiro de onde teria saído a pensão que ele pagava à jornalista Mônica Veloso, com a qual tem uma filha. "Prometemos entregar o laudo em 20 dias, mas o trabalho só começa quando todos os documentos estiverem em mãos", avisou o chefe da Diretoria Técnico-Científica da PF, delegado Geraldo Bertolo. O trabalho será feito por oito peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC), subordinado a Bertolo. O delegado não quis opinar se a culpa pelas omissões é do próprio senador ou se decorre de dificuldades naturais, já que parte dos papéis está sendo colhida por emissários do conselho, o maior interessado na perícia. Segundo Bertolo, o laudo não tem finalidade criminal. "Trata-se de uma encomenda do Senado, no curso de um processo político". Mas o Senado pode dar também destinação penal, enviando os autos ao Ministério Público, caso encontre indícios de crime. Ele explicou também que a PF não fará diligências, apreensões de documentos na casa, escritório ou gabinete de Renan, nem qualquer ato policial que signifique investigação ao senador, porque isso dependeria de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), onde ele tem foro especial. Os peritos farão análise contábil e documentoscópica de notas fiscais de venda de gado, recibos de pagamento, atestado de vacina do rebanho, livro-caixa das propriedades e guias de transporte de animais (GTAs), além das declarações de renda entre 2003 a 2006.Um primeiro laudo, produzido há um mês, considerou a documentação insuficiente para comprovar as operações de venda de gado.

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