PF abrirá mais 48 inquéritos no caso Sudam

A Polícia Federal (PF) decidiu hoje abrir mais 48 inquéritos na região de Altamira (PA) para apurar desvios em financiamentos da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Altamira é um dos principais redutos eleitorais do presidente licenciado do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), para onde foram liberados, entre 1998 e 1999, R$ 231 milhões. A PF informa ter provas de que um político, cujo nome não foi revelado, está envolvido no esquema de fraudes. Hoje, peritos federais começaram uma devassa em diversos empreendimentos, o primeiro deles foi uma fábrica da família Soares, aliada política do senador, no oeste do Pará.A PF informa ter certeza de que a maior parte dos recursos destinados à região de Altamira não foi aplicada corretamente. Na primeira constatação, feita na Indústria de Café Ouro Preto, pertencente ao empresário José Soares Sobrinho, mas que está em nome de ?laranjas?, os agentes confirmaram que os recursos recebidos da Sudam - cerca de R$ 2 milhões - não foram empregados no empreendimento. Apenas um galpão, recém-construído e vazio, demonstrava a corrupção.Além de Altamira, os 48 inquéritos compreendem Vitória do Xingu, Anapu, Pacajá, Senador José Porfírio, Uruará e Brasil Novo, todas próximos à Rodovia Transamazônica. Peemedebistas possuem projetos na região, a maioria com suspeita de irregularidades, segundo a avaliação feita pela PF e pela Secretaria Federal de Controle.Depois de prender três acusados - dois em Belém e um em Altamira - a PF procura dois empresários que tiveram a prisão temporária decretada. Eles são acusados de envolvimento em fraudes na Sudam. Mas o que mais surpreendeu os policiais foram a quantidade e os valores dos cheques encontrados na casa de Regivaldo Pereira Galvão. Ele era considerado o principal fornecedor de recursos para empresários usarem no pagamento de propina. "Ele cobrava de 5% a 50% dos recursos liberados", afirmou o delegado Hélbio Dias Leite, que comanda as buscas em Altamira.Além dos cheques, que variam de R$ 2.500,00 a R$ 900 mil, a PF apreendeu com Galvão três notas promissórias, registradas em cartório em nome de um dos principais acusados de envolvimento na corrupção na Sudam, Geraldo Pinto da Silva. "Isso mostra que, além de agiota, Galvão estava atuando no caso da Sudam", afirmou Leite, que hoje ouviu o empresário José Carlos Carvalho, preso ontem também por suspeita de se beneficiar de irregularidades em financiamentos.

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