PF abre inquérito para apurar vazamento de dados sobre Rural

O diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, determinou a abertura de inquérito para apurar a responsabilidade pelo vazamento de dados das investigações do Ministério Público sobre as supostas operações de lavagem de dinheiro no Banco Rural, publicados pelo Estado. Lacerda decidiu investigar as fontes das reportagens do jornal depois de receber em seu gabinete o advogado do banco e ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias. Ele pediu ao diretor-geral a investigação por entender que as apurações dos procuradores são sigilosas. No domingo, o Estado revelou que o Ministério Público vai aprofundar as investigações sobre as "práticas fraudulentas" e de lavagem de dinheiro do Rural, que iriam muito além das transações com o valerioduto. A reportagem apontou que os procuradores já descobriram saques acima de R$ 100 mil ligados a sete deputados e a dois senadores. Todos negam quaisquer irregularidades.Ontem, o Estado publicou que o MP também já identificou depósitos acima de R$ 100 mil - transações enquadradas como suspeitas - relacionadas ao vice-governador de Minas Gerais e presidente da Confederação Nacional de Transportes (CNT), Clésio Andrade, e ao ex-presidente Fernando Collor de Mello. A reportagem também mostrou operações semelhantes de André Puccinelli, pré-candidato do PMDB ao governo de Mato Grosso do Sul, e da Rádio Melodia, ligada ao ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho.As operações constam de comunicados do Banco Rural ao Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) enviados nos últimos três anos. A equipe do MP está cruzando esses informes com os documentos apreendidos pela Polícia Federal em agências do Rural. Os dados internos do Rural, segundo os procuradores, já mostraram que o banco enviou ao Coaf comunicados incompletos em relação aos envolvidos no caso do mensalão e a 16 outros grandes clientes da instituição.Fontes na PF afirmam que o inquérito deverá ser comandado pelo delegado Rodrigo Gomes Carneiro, também responsável pelas investigações sobre a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo.MensalãoNa PF, Dias atacou a denúncia do procurador-Geral da República, Antonio Fernando de Souza, sobre o mensalão, que apontou o Rural como o "núcleo operacional financeiro" da "organização criminosa" que operou o esquema. "Aquilo é uma balbúrdia", criticou, referindo-se ao documento, que qualificou como "genérico" e semelhante aos processos contra militantes políticos durante a Ditadura Militar. Na denúncia, o procurador pediu o indiciamento dos dirigentes do banco.

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