PF abre inquérito para apurar vazamento de dados de FHC

Foco das investigações atende a expectativas de Dilma e exclui da apuração quem elaborou o documento

Jair Rattner, de O Estado de S. Paulo,

07 de abril de 2008 | 10h15

O diretor da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, afirmou em Portugal que a Polícia Federal abriu nesta segunda-feira, 7, o inquérito para apurar o vazamento de dados com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Quem elaborou o tal documento, no entanto, ficará de fora das investigações, segundo ele. "O foco da investigação é o vazamento de dados, o que constitui um crime flagrante. A manipulação de dados no âmbito das repartições, enquanto não vazar, não é crime", afirmou Corrêa.    O foco da investigação atende às expectativas da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ela já havia manifestado que, se fosse inevitável convocar a PF, que o órgão investigue apenas "o vazamento" - sem tratar da elaboração do material.  Veja Também: Entenda o que é e como funciona o ITIDilma anuncia auditoria e fala em ação da PF sobre vazamentoPara 'Economist', Dilma pode ser 'bode na sala' para 2010Dossiê com dados do ex-presidente FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos Forúm: Quem ganha e quem perde com a CPI? Oposição vai questionar Dilma sobre dossiê contra FHC em comissão Garibaldi lerá pedido que cria CPI no Senado   Corrêa disse que não terá nenhuma influência na escolha de quem será indicado para dirigir o inquérito: "Isso é responsabilidade da Superintendência de Brasília, que tem os seus próprios processos de distribuição de inquéritos. Para vocês (da imprensa), é um inquérito que tem apelo, mas para a Polícia Federal é um inquérito como tantos outros, aplicam-se as regras de todos os inquéritos".  Segundo ele, a investigação terá o prazo normal de 30 dias. "Depois será decidido se vão pedir um alargamento do prazo, se arquiva ou se encaminha para os tribunais". Corrêa está em Lisboa para participar de um encontro dos ministros do interior e dos responsáveis pela polícia dos oito membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Em nota divulgada nesta segunda-feira, o ministro da Justiça, Tarso Genro, já havia transferido à PF a decisão de abrir ou não inquérito para investigar a "possibilidade de crime" na violação de sigilo do "banco de dados" da Casa Civil sobre FHC. Tarso também não menciona o "banco de dados" que o governo admite ter feito. Diz apenas que atende a pedido da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para que se verifique a "pertinência" de abertura do inquérito policial.  A tendência é que os agentes federais entrem nas investigações, mas o comando da corporação não quer que o Planalto defina o campo de ação, o que daria ao trabalho a marca de uma "missão chapa-branca". Uma fonte da PF avaliou que é "inevitável" uma investigação ampla. Segundo ele, é crime coletar dados sigilosos e é crime vazar esse tipo de informação.  Na última sexta-feira, em coletiva, a ministra tratou a coleta dos dados como uma "invasão" nos computadores da Casa Civil e prefere tratar isso como um problema interno e a ser investigado pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) - uma espécie de cartório certificador de registros de informática, que é ligado ao próprio ministério.  (Com Rosana de Cassia, de O Estado de S. Paulo) 

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