PF abre inquérito para apurar denúncias de Brizola

O ex-diretor da Loteria do Estado do Rio Grande do Sul (Lotergs), José Vicente Brizola, confirmou à Polícia Federal as acusações que fez contra o PT do Rio Grande do Sul, reafirmando que foi ?compelido? a agendar encontros entre arrecadadores de fundos de campanha e empresários do bingo e jogos eletrônicos durante a campanha de 2002. O depoimento foi dado nesta quinta-feira e marcou o início dos trabalhos do inquérito aberto pela PF para apurar as denúncias. O delegado Antônio Borges Filho foi deslocado de Florianópolis para Porto Alegre para comandar a investigação. Além de descrever como foi pressionado pelos gestores dos fundos da campanha à reeleição da ex-senadora Emília Fernandes (PT), Brizola entregou os telefones das pessoas com quem agendou reuniões em 2002. ?A quebra do sigilo telefônico e bancário de todos os envolvidos pode fornecer as provas que a polícia julga necessárias?, sugeriu o ex-diretor da Lotergs ao final de duas horas e meia de depoimento.Brizola também lembrou que foi indicado pelo presidente do PT gaúcho, David Stival, e pelo coordenador da campanha de Lula no Estado, Paulo Ferreira, para o cargo de consultor técnico de transferência de benefícios da Superintendência de Benefícios da Caixa Econômica Federal. Mas a carta de apresentação não serviu para nada. Ao chegar a Brasília, não foi nem recebido pelos diretores da Caixa, e lembra de ter ouvido de uma funcionária a intrigante informação de que a equipe para assessorar o contrato com a Gtech já estava formada. ?Aí havia algo?, desconfia Brizola. Em conversa com os jornalistas, antes de ser ouvido pelo delegado, Brizola revelou que, depois de ter feito as denúncias à imprensa, no final de fevereiro, recebeu dois telefonemas anônimos sugerindo que ficasse quieto. Mas preferiu considerar as ligações como trote. Tanto que, segundo Borges Filho, nem chegou a referi-las no depoimento e nem pediu qualquer proteção à polícia. O delegado anunciou que vai buscar as provas para as denúncias de Brizola e não descartou a quebra dos sigilos. ?Meu trabalho é colocar documentos onde só existem palavras?, comentou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.