PF abre 31 novos inquéritos em Altamira sobre Sudam

A Polícia Federal abriu hoje 31 novos inquéritos em Altamira, no oeste do Pará, para apurar fraudes em financiamentos da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). A PF já indiciou dez pessoas, entre eles Danny Gutzeit que, segundo moradores da região, teria sido casado com uma parente do presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA).O clima da cidade, um dos redutos eleitorais do senador, está tenso por causa do assassinato do sindicalista Ademir Alfeu Fredericci. Ele foi uma das primeiras pessoas a denunciar as irregularidades na autarquia.Além dos 31 inquéritos, que apuram desvios em projetos financiados pela Sudam, a PF já prendeu três pessoas - sendo que uma delas já foi libertada por meio de habeas corpus - e está à procura de um outro empresário que também é acusado de fazer parte do esquema de fraudes.Os 48 empreendimentos da região da Transamazônica - que compreende Altamira, Uruará e Brasil Novo - receberam do governo R$ 231 milhões de 1996 até o ano passado.Hoje, o delegado Hélbio Dias Leite, que investiga o caso Sudam, ouviu mais uma testemunha e conseguiu fazer a primeira ligação com políticos, apesar de nenhum dos interrogados citarem o nome de Jader.Os pessoas que foram ouvidas confirmaram que 10% do dinheiro recebido da Sudam ia para a contadora Maria Auxiliadora Barra Martins, idealizadora de vários projetos.O clima na cidade é de muita tensão, apesar de a PF ter em Altamira, 25 homens de uma equipe especial e do Comando de Operações Táticas (COT).Hoje, o deputado estadual Zé Geraldo (PT) e o secretário da Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Airton Faleiro, denunciaram que estão recebendo ameaças de morte.A sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Altamira também foi invadida, mas nada foi levado, apesar de tudo ter sido revirado.

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