PF aborda governador de RR após denúncia

O governador de Roraima, o candidato à reeleição pelo PSDB Anchieta Júnior, foi abordado pela Polícia Federal (PF) hoje quando chegava ao Palácio Senador Hélio Campos, sede do Executivo estadual. Com ânimos acirrados, os seguranças do governador e os agentes federais apontaram armas entre si. Porém, não houve disparos. A abordagem, segundo a corporação, ocorreu após denúncia de que os dois veículos nos quais estavam o governador e seus seguranças estariam transportando dinheiro para compra de votos.

LOIDE GOMES, Agência Estado

21 de outubro de 2010 | 17h39

Os carros foram revistados, mas os agentes não encontraram indícios do dinheiro, segundo o superintendente da PF, Herbert Gasparini. Ele disse que a corporação desconhecia quem eram os ocupantes dos carros. "Ninguém sabia que o governador estava no carro, mesmo porque o veículo que foi abordado tem propaganda política. Ele foi tratado com toda deferência pelos agentes. Tudo foi filmado", disse.

Anchieta Júnior minimizou o fato de ter sido parado sob a mira de armas. "Foi uma abordagem de rotina. Imparcial. A ação da PF sempre é feita com armas em punho e meus seguranças também portam armas e estão sempre alertas nestas situações", contou. Apesar disso, afirmou não ser "natural" um governador ser revistado desta forma pela PF". "Este é um processo eleitoral atípico. Nunca tínhamos visto uma ação com essa dimensão."

Anchieta classificou a denúncia que motivou a ação de "infundada", criada pela oposição para "tumultuar e atrapalhar o processo eleitoral". "Esta foi a quarta vez que fui parado por agentes federais", acrescentou. Esta semana, sua mulher, Sheridan de Anchieta, também foi revistada pela PF.

Calma

O deputado federal Márcio Junqueira (DEM), aliado do tucano, foi à sede da PF logo após o incidente para pedir mais calma durante as investigações. Em entrevista, ele disse que a ação foi "truculenta" e que vai impetrar com uma representação contra a PF junto ao Ministério da Justiça e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) por ter sido "parcial". Ele foi vaiado por correligionários de Neudo Campos (PP), adversário de Anchieta. Houve tumulto e três pessoas foram detidas.

Gasparini negou excessos. "A Polícia Federal faz abordagem armada, a não ser que seja uma atividade que não seja ostensiva. As pessoas ficam nervosas e até agressivas na atuação da PF." O superintendente disse ainda que não abriria inquérito uma vez que não encontrou dinheiro. Os detidos na confusão também foram liberados.

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