PF aborda governador de Roraima ao investigar crime eleitoral

Com ânimos acirrados, os seguranças do governador e os agentes federais apontaram armas entre si

Loide Gomes, de O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2010 | 16h41

BOA VISTA - O governador de Roraima, Anchieta Júnior, que é candidato à reeleição pelo PSDB, foi abordado pela Polícia Federal por volta de 11h desta quinta-feira, 21, quando chegava ao Palácio Senador Hélio Campos, sede do executivo estadual. Com ânimos acirrados, os seguranças do governador e os agentes federais apontaram armas entre si. Não houve disparos.

 

A abordagem, segundo a Polícia Federal, ocorreu após denúncia de que os dois veículos Honda Civic, nos quais estavam o governador e seus seguranças, estariam transportando dinheiro supostamente para compra de votos. Os carros foram revistados, mas não foram encontrados indícios de ilícito eleitoral, segundo o superintendente da PF, Herbert Gasparini. Ele garantiu que a PF desconhecia quem eram os ocupantes dos carros.

 

"Ninguém sabia que o governador estava no carro, mesmo porque o veículo que foi abordado tem propaganda política . Ele foi tratado com toda deferência pelos agentes. Tudo foi filmado", disse.

 

Anchieta Júnior minimizou o fato de ter sido parado sob a mira de armas. "Foi uma abordagem de rotina. Imparcial. A ação da PF sempre é feita com armas em punho e meus seguranças também portam armas e estão sempre alertas nestas situações".

 

Apesar disso, afirmou não ser "natural" um governador ser revistado desta forma pela PF. "Este é um processo eleitoral atípico. Nunca tínhamos visto uma ação com essa dimensão".

 

Anchieta classificou a denúncia que motivou a ação "infundada", criada pela oposição para "tumultuar e atrapalhar o processo eleitoral. "Esta foi a quarta vez que fui parado por agentes federais", acrescentou. Esta semana, sua mulher, Sheridan de Anchieta, também foi revistada pela PF.

 

O deputado federal Márcio Junqueira (DEM), aliado do tucano, foi à sede da Polícia Federal logo após o incidente para pedir mais calma durante as investigações. Em entrevista aos jornalistas, ele disse que a ação foi "truculenta" e que vai representar a PF junto ao Ministério da Justiça e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) por ter sido "parcial". Ele foi vaiado por correligionários de Neudo Campos (PP), adversário de Anchieta. Houve tumulto e três pessoas foram detidas.

 

Gasparini negou excessos. "A Polícia Federal faz abordagem armada, a não ser que seja uma atividade que não seja ostensiva. As pessoas ficam nervosas e até agressivas na atuação da PF". O superintendente disse ainda que não abriria inquérito uma vez que não encontrou dinheiro. As pessoas detidas também foram liberadas.

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