Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Pezão diz ter adiado repasses a fornecedores para pagar pessoal

Governador do Rio afirma que receita do Estado caiu 16% em outubro e que irá a Brasília para tratar de liberação de recursos; na semana passada, governo suspendeu pagamentos

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2015 | 12h29

RIO - O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), afirmou na manhã desta terça-feira, 24, que a receita do Estado caiu 16% em outubro e dissse ter adiado pagamentos a fornecedores para ter dinheiro para pagar pessoal. Ao chegar para reunião do Comitê Rio-2016, o peemedebista declarou não ter ainda como prever quando voltará a pagar aos fornecedores e citou o início do próximo mês como um prazo possível para a retomada. A suspensão dos repasses, entre outros problemas, deixou cerca de 20 mil terceirizados sem dinheiro e provocou a interrupão das aulas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O pagamento da segunda parcela do 13º salário dos funcionários públicos não está garantido, segundo o governador já avisou em ocasiões anteriores.

“Estamos conversando abertamente e mostrando as dificuldades do Estado no momento”, disse Pezão antes da reunião desta terça. “Eu posterguei diversos pagamentos para garantir a folha dos aposentados, pensionistas e servidores do Estado, para receberem primeiro, e depois eu vou acertar durante o mês. Eu tenho operações importantes hoje em Brasília, para liberação de recursos, que a gente está negociando através do RioPrevidência, estou esperando notícia pra hoje. Há negociações que estou fazendo com grandes devedores do Estado, o Estado tem muito a receber. Eu estou precisando, hoje eu tenho um déficit de R$ 2,3 bilhões depois ter conseguido mais de R$ 3,2 bilhões em receitas extraordinárias. Não é trivial com a economia em queda. E a receita está caindo muito.”

Pezão disse esperar chegar “a um bom termo, pagar os funcionários em dia e pagar os fornecedores o máximo que puder” “Não tenho previsão (de quando conseguirá pagar). “Estou negociando para pagar dentro deste mês, o mais tardar nos primeiros dias de dezembro”, afirmou. “As nossas despesas são fixas, eu não tenho como não pagá-las. Eu posso segurar um pouco, atrasar um pouco. Agora, a receita não entra na velocidade que a gente quer.”

O peemedebista lembrou que as empresas estão “com muitas dificuldades” e adiam pagamentos. O problema atingiu duramente a arrecadação de impostos. “As maiores empresas do Estado nos devem muito. Então estou negociando com cada uma. Isso vai criando uma bola de neve. O País também está tendo as menores arrecadações, estamos voltando a níveis de 2009. Não é um problema só do Rio. Eu conversava com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) de manhã, e ele está perdendo quase R$ 900 milhões de arrecadação de ICMS por mês, o governador (de Minas Gerais) Fernando Pimentel (PT) também. Os grandes Estados, todos os Estados, estão com problemas”, afirmou.

ANP. Pezão afirmou que está procurando alternativas para a crise. “A gente está vendo oportunidades. Eu procurei a doutora Magda (Chambriard, presidente da Agência Nacional do Petróleo), estou mostrando a proatividade do Estado. Levei à presidente Dilma (Rousseff) ideias de a gente ativar mais a produção de petróleo no pós-sal. A gente sabe que a Petrobrás hoje não está fazendo investimentos nesses campos. São concessões que são do governo Fernando Henrique (1995-2002) e que estão vencendo, tem oito, dez anos. E aí tem grande potencial, todos os técnicos e especialistas falam que aí têm grande potencial de aumento de produção de petróleo se a gente tiver investimentos. A gente pode dar incentivos para explorar melhor as bacias.”

O govermador afirmou estar “correndo atrás”. “Porque não adianta eu ficar só atrás de uma crise e ver o desemprego chegar. Eu estou preocupado, porque a questão do emprego é o que mais me move, além de correr atrás de dinheiro é ver oportunidades para que a gente possa estar ativando a economia”, declarou.

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