Petros nega interferência em demissão

O presidente do fundo de pensão dos funcionários da Petrobras (Petros), Carlos Flory, negou que pressões do fundo tenham sido o motivo da demissão, hoje, da secretária de Previdência Complementar, Solange Vieira, pelo ministro da Previdência, Roberto Brant. "Não somos tão poderosos", comentou ele. "Atribuo a demissão da secretária à sensibilidade do ministro, em perceber a forma prejudicial como estava sendo conduzido o relacionamento do órgão regulador com os fundos", avaliou. "Esse relacionamento tem que ser feito com equilíbrio e ponderação", acrescentou ele. O dirigente do Petros não escondeu, porém, o seu descontentamento com o anúncio feito pela secretária, de que iria divulgar uma lista com os nomes dos fundos de pensão com insuficiência de reservas para honrar compromissos. "Imagina se o Banco Central começasse a divulgar nomes de bancos com problemas. Haveria um impacto muito negativo no sistema financeiro. No caso dos fundos, o impacto não é tão imediato e visível, mas é igualmente destruidor para o sistema", justificou ele. Para o presidente da Petros, essa forma de atuação causa instabilidade e preocupação juntos aos participantes. O nome da Petros estava na lista que seria divulgada pela secretária Solange Vieira, o que gerou rumores no mercado de que o fundo vinha fazendo pressões junto ao ministro para tirá-la do cargo. O presidente da Petros negou que o fundo tenha um rombo atuarial, e disse que houve "erro de conceito de déficit atuarial". Segundo ele, a dívida da Petrobras para com o fundo, que hoje está em R$ 4,2 bilhões, já foi contratada, vem sendo paga desde 1999 e consta no balanço da Petrobras e do fundo.

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