Petroleiros protestam por segurança no trabalho

O coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Maurício França, afirmou ontem que a paralisação, prevista para hoje, deverá provocar "apenas uma pequena redução" na produção de petróleo do País. "Nosso objetivo é protestar, mas não queremos prejudicar o País. Com o corte de rendição nas refinarias, terminais e áreas de exploração, pode acontecer apenas uma pequena redução da produção", disse o sindicalista. A FUP reúne 20 sindicatos e é ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT).A categoria reivindica mais investimento em segurança no trabalho - em treinamento e qualificação - e a reposição "imediata" do efetivo da estatal, que teria caído de 62 mil, em 1989, para 34 mil, apesar do aumento da produção verificado nos últimos anos.Segundo França, petroleiros farão piquetes nos locais de trabalho e haverá uma manifestação maior na frente da sede da Petrobras, no Rio. Nas áreas de exploração, como as plataformas, o protesto será feito, segundo a FUP, com atraso de vôos e a chamada "operação silêncio", pela qual os funcionários são orientados a não comunicar à base o que está sendo produzido. Também está prevista pela entidade a paralisação do setor administrativo da estatal. Os petroleiros criticam o aumento da terceirização do serviço. De acordo com a FUP, dos 91 petroleiros mortos nos últimos três anos, 66 eram terceirizados. O aumento da terceirização, que estaria alcançando setores de produção, seria uma das principais causas de acidentes em plataformas. AçãoO advogado da FUP, Jorge Normando Rodrigues, informou que a entidade entrou com ação civil pública na Vara de Trabalho de Macaé, requerendo liminar para a participação de sindicalistas na comissão de sindicância formada pela Petrobras para investigar as causas do acidente na plataforma P-36. "A Petrobras mentiu nos acidentes da Baía de Guanabara e do Rio Iguaçu, no ano passado, e, por isso, não confiamos no resultado da comissão. Queremos transparência na apuração", disse Rodrigues. Ele afirmou ainda que, no caso do acidente da plataforma de Enchova, em 1984, que deixou 37 mortos, ninguém foi indiciado.A FUP também deverá ingressar com ações de responsabilidade civil requerendo indenizações para as famílias dos dez petroleiros mortos na P-36. Os sindicalistas querem explicações da Petrobras sobre denúncias que tem recebido de que outras plataformas, como a P-40 e P-19, teriam estruturas semelhantes à da P-36 e, por isso, estariam sujeitas a acidentes como o ocorrido dia 15, deixando dez mortos. "Temos recebido muitas denúncias e vamos procurar a Petrobras para cobrar explicações sobre a presença de substâncias explosivas, como gases, em colunas de plataformas que têm sistemas semelhantes ao da P-36", afirmou Fernando Carvalho, coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

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