Petroleiros lembram mortos no acidente da P-36

Em São José dos Campos (SP), a Refinaria Henrique Lages (Revap) parou a produção por uma hora. O protesto, das 7hs às 8 horas, reuniu cerca de 350 trabalhadores do primeiro turno da produção de combustível e da área administrativa.A manifestação antecedeu a saída de 15 pessoas da Revap para o Rio de Janeiro, onde elas representaram a empresa no protesto geral de um ano do acidente da P-36. Segundo o presidente do Sindicato dos Petroleiros da região, Mauro de Almeida Rosa, a paralisação não prejudicou a produção, ?já que envolveu só os trabalhadores do primeiro turno?.O presidente informou que os trabalhadores pedem maior atenção da empresa com a segurança no trabalho. ?Todas as unidades da Petrobras têm que melhorar a segurança dos trabalhadores?.Em São José dos Campos, por exemplo, uma das reivindicações é a remoção dos trabalhadores que não são da área de segurança da Brigada de Incêndio. ?Queremos a saída do pessoal do laboratório e de operadores, e a integração de pessoas somente da área de segurança?. No resto do dia, a produção na Revap foi normalizada. RegapEm Belo Horizonte, cerca de 150 petroleiros participaram na manhã desta sexta-feira, na porta da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, de um ato simbólico em memória dos mortos no acidente ocorrido há um ano, na Plataforma P-36, da Petrobras.Segundo o diretor do Sindicato dos Petroleiros em Minas, Leopoldino Martins, os organizadores do ato, que durou meia hora, exibiram um vídeo com imagens dos trabalhos de resgate e do afundamento da plataforma."Fizemos um minuto de silêncio em homenagem aos mortos da P-36 e também de seis colegas que perderam a vida na própria Regap, recentemente", disse, referindo-se a explosões na refinaria mineira em 1998, na qual cinco pessoas morreram, e, no ano passado, que vitimou um petroleiro.ViúvasUm ano após o acidente que matou 11 petroleiros e levou a maior plataforma da Petrobras, a P-36, para o fundo do mar, a direção da companhia entende que as famílias dos mortos já foram devidamente indenizadas, segundo o diretor-gerente José Lima de Andrade Neto.Nesta sexta-feira, as viúvas dos petroleiros fizeram um ato de protesto em frente ao prédio-sede da empresa, no centro da cidade, e voltaram a cobrar o pagamento da indenização a que elas julgam ter direito.PetrobrasA Petrobras alega que, por iniciativa própria, concedeu vários benefícios às famílias das vítimas, como o pagamento integral de mensalidades escolares até a universidade para os filhos de até 24 anos; reembolso de material escolar de até três salários mínimos e cobertura integral de despesas com tratamento psicoterápico para os dependentes inscritos no Programa de Assistência Multidisciplinar de Saúde (AMS) pelo período de dois anos.Além disso, as viúvas recebem a complementação salarial do fundo de pensão dos funcionários, a Petros, e pecúlio equivalente a 30 salários-mínimos. O advogado de dez das onze mulheres, Mário Sérgio Pinheiro, contrargumenta, afirmando que a morte de 11 pessoas não tem preço; que a companhia lucra cerca de R$ 10 bilhões por ano e que pagou multa de R$ 50 milhões pelo vazamento de óleo na Baía de Guanabara sem recorrer à Justiça.Esta, aliás, é a quantia que Pinheiro reivindica, por meio de ação judicial, para suas clientes, baseando-se na legislação que trata de crime ambiental. ?Queremos que o juiz utilize analogicamente os critérios adotados para punir os crimes contra o meio-ambiente?, disse.Ato públicoPara marcar os 12 meses do acidente da P-36 e as mortes que ocorreram, o Sindicato dos Petroleiros organizou atos públicos em todas as unidades da Petrobras, e a empresa fez um balanço das providências sociais e das mudanças de práticas e critérios que foram adotadas.Enquanto os trabalhadores cobraram mais segurança no ambiente de trabalho - desde o naufrágio da plataforma já ocorreram outras 13 mortes de petroleiros por acidente de trabalho -, o diretor-gerente de exploração e produção, Carlos Tadeu da Costa Fraga, relatou as mudanças implementadas, entre elas, não mais usar os tanques em colunas nos novos projetos; criação de barreiras de segurança, aumentando o nível dos sensores dos tanques, e a adoção de critérios mais rígidos de análise de risco.Os tanques em coluna oferecem risco porque, diante de uma explosão, comprometem a flutuabilidade da plataforma, como aconteceu com a P-36. ?Se nos for apresentada mais de uma alternativa de projeto e equipamento, adotaremos a que tiver o critério mais rígido de segurança?, afirmou o executivo.ConfusãoApós o protesto, houve um início de confusão na entrada do prédio da Petrobras, porque as viúvas queriam encontrar-se com o presidente da companhia, Francisco Gros, que não as recebeu porque participava da reunião de conselho, informou José Lima. Gros, no entanto, agendou um encontro com as mulheres para o próximo dia 20.

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