Petrobrás tira executivos citados em auditorias de cargos de confiança

Afastamento ocorre após sindicância interna da estatal e atinge funcionários ligados a diretorias responsáveis por licitações e contratações de empresas

Fernanda Nunes e Mônica Ciarelli, O Estado de S. Paulo

19 de novembro de 2014 | 14h50

Rio - As investigações internas feitas pela Petrobrás para apurar casos de corrupção tiveram nessa terça-feira, 18, suas primeiras repercussões entre os funcionários. O Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, apurou que executivos citados nas auditorias internas perderam os cargos de chefia, considerados de confiança. O resultado da sindicância aberta para apurar o envolvimento de funcionários em casos de superfaturamento de obras foi entregue ao conselho de administração da Petrobrás na semana passada.

Entre os executivos que perderam os cargos estariam o gerente-geral de Implementação de Empreendimentos, Glauco Colepicolo, que trabalha há 35 anos na estatal. A área de Implementação de Empreendimentos da Petrobrás cuida de grandes licitações da empresa, como para contratações para a refinaria Abreu e Lima, instalada em Pernambuco, cujo orçamento iniciou em US$ 2,5 bilhões e, hoje, está orçada em US$ 18,5 bilhões. A obra é alvo da investigação da Polícia Federal , na Operação Lava Jato, e também do Tribunal de Contas da União (TCU).

Segundo fontes, os executivos afastados trabalharam com Pedro Barusco, braço direito do ex-diretor Renato Duque. Os dois são acusados de cobrar propina dos executivos da Toyo Setal Julio Gerin de Almeida Camargo e Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, que fecharam acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal no dia 22 de outubro. Barusco já admitiu ter participado de esquemas de corrupção, também fechou acordo de delação premiada e aceitou devolver R$ 252 milhões à empresa.

As comissões internas ainda vão apurar as reais responsabilidades dos executivos. Caso fique comprovado a participação no esquema de corrupção, o funcionário pode acabar exonerado. O Broadcast apurou ainda que são muitas as irregularidades investigadas, entre elas a contratação de bens e serviços para projetos que não tiveram a viabilidade técnica e econômica analisadas previamente, como exige o regulamento da companhia.

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