Petrobrás rescinde contrato com empreiteira da Lava Jato

Acordo previa a construção de 24 módulos para plataformas de petróleo no Polo Naval do Jacuí pela Iesa Óleo e Gás; executivos da empresa foram presos pela PF

Gabriela Lara , O Estado de S. Paulo

18 de novembro de 2014 | 20h24

Porto Alegre - A Petrobrás rescindiu um contrato com a IESA Óleo e Gás que previa a construção de 24 módulos para plataformas de petróleo no Polo Naval do Jacuí, na cidade de Charqueadas, no Rio Grande do Sul. O negócio de US$ 800 milhões estava ameaçado há meses, devido à crise financeira enfrentada pela IESA e a consequente dificuldade em honrar o contrato - em setembro, o grupo Inepar, controlador da empresa, entrou com pedido de recuperação judicial.

"A Petrobrás e seus parceiros BG e Galp, sócios para desenvolvimento da produção do Bloco BMS11 do pré-sal da Bacia de Santos, informam que o contrato assinado com a IESA Óleo e Gás para fornecimento do Pacote III de Módulos de Replicantes foi rescindido. Será realizada, oportunamente, nova licitação para a contratação dos serviços", informou a estatal em nota enviada ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

Por enquanto, nenhum módulo de plataforma encomendado foi entregue. A IESA estourou todos os prazos, atrasou salários e afastou os trabalhadores de forma temporária, enquanto não se chegava a uma solução para a crise. A notícia da rescisão não é uma surpresa, já que as tratativas para tentar manter o contrato se arrastaram por meses, sem sucesso. A estatal tentou inclusive encontrar um parceiro comercial para assumir o projeto junto com a Iesa. Andrade e Gutierrez e Queiroz Galvão chegaram a negociar, mas não fecharam.

No entanto, para o prefeito de Charqueadas, Davi Gilmar de Souza, a decisão pode ter sido antecipada pelo envolvimento de executivos da IESA Óleo e Gás na sétima fase da operação Lava Jato, que investiga casos de irregularidades em contratos da Petrobrás. "Foi a gota d'água", disse ao Broadcast. O diretor de Operações da IESA Óleo e Gás, Otto Garrido Sparenberg, e o diretor presidente da empresa, e Valdir Lima Carreiro, estão em prisão temporária em Curitiba. Gilmar contou que foi informado da rescisão pela própria IESA, hoje de manhã.

Com o fim do contrato com a Petrobrás, os mil trabalhadores que atuam na unidade da IESA em Charqueadas devem ser dispensados. Representantes da cidade gaúcha se reuniram nesta terça-feira, 18, com o vice-presidente da República, Michel Temer, para pedir uma solução capaz de manter os empregos e salvar o Polo Naval do Jacuí - já que a IESA é a principal empresa operando no local.

Tudo o que sabemos sobre:
Lava JatoPetrobras Iesa oleo e gas

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.