Petrobras rejeita redução na compra de gás boliviano

Em visita ao Brasil, vice boliviano diz que não garante volumes adicionais de gás.

Marcia Carmo, BBC

14 de fevereiro de 2008 | 20h55

A Petrobras informou, nesta quinta-feira, através de uma nota à imprensa, que o Brasil não diminuirá a importação de gás da Bolívia. No texto, de apenas três parágrafos, a empresa destaca que informou ao vice-presidente boliviano Alvaro García Linera sobre a "impossibilidade de reduzir" a demanda do volume máximo de 30 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural. O texto recorda que este volume está previsto no contrato de compra assinado com a estatal boliviana, YPFB.O comunicado foi divulgado logo após a reunião, na sede da petroleira, no Rio de Janeiro, entre o presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, a diretora de Gás e Energia da companhia, Maria das Graças Foster, e o vice-presidente boliviano e o ministro boliviano de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas. A posição da Petrobras foi divulgada um dia depois da reunião entre as autoridades bolivianas e o presidente Lula, em Brasília. A expectativa agora é para o apelo que o presidente da Bolívia, Evo Morales, deverá fazer aos colegas do Brasil e da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, numa reunião marcada para o dia 23 próximo, sábado, em Buenos Aires, capital argentina. Pouco antes da divulgação do comunicado da Petrobras, Morales disse, nesta quinta-feira, em La Paz, que vai conversar com Lula e Cristina para que juntos encontrem uma fórmula para distribuir o limitado gás boliviano aos dois países. "Na questão da energia temos que atuar dentro da complementaridade entre todos os governos da região", afirmou numa entrevista coletiva.'Equilíbrio'Morales declarou, segundo a Agência Boliviana de Informação (ABI, agência oficial), que o objetivo do encontro será "buscar o equilíbrio" nessa distribuição. "E ver como nos ajudamos, entre os países (...) para atender esta demanda, principalmente no inverno". Ele disse ainda que juntos vão trabalhar para encontrar "solução para o problema". A Bolívia é dona da segunda maior reserva da região, mas a queda nos investimentos, como alertou, recentemente, a Câmara Boliviana de Hidrocarbonetos, com sede em Santa Cruz de la Sierra, tem provocado queda nesta produção energética. Nos últimos meses, as principais autoridades bolivianas, como Villegas, recordaram que as leis do país determinam que o mercado interno deve ter prioridade neste abastecimento. Ao mesmo tempo, o governo boliviano tenta ser "equilibrista" para não deixar faltar gás no Brasil, com quem tem um contrato que prevê multas se não for cumprido, e com a Argentina, que paga mais pelo produto do que o Brasil. Pelos contratos, a Bolívia deveria mandar, além dos cerca de 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia (o número varia diariamente), mais de sete milhões de metros cúbicos para o mercado argentino - o que, segundo dados da Câmara de Hidrocarbonetos, não vem sendo obedecido. De acordo com a ABI, a produção de gás boliviano está em torno dos 40 milhões de metros cúbicos diários e a previsão é de que aumentará para 42 milhões, mas analistas do setor privado estimam que essa soma - entre mercado interno e externo - já supera os 46 milhões de metros cúbicos de gás. É por isso que Morales pretende falar com os colegas do Brasil e da Argentina sobre a "ginástica" que será necessária para atender aos três países. Na entrevista, nesta quinta-feira, ele voltou a lembrar que os investimentos estão numa etapa crescente. Mas assessores do governo recordam que os efeitos na produção neste setor não são imediatos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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