Petrobrás recua em uso de blog contra mídia

Mas empresa continua sem revelar valor do contrato com assessoria

Nicola Pamplona, RIO, O Estadao de S.Paulo

11 de junho de 2009 | 00h00

A Petrobrás decidiu rever a estratégia de divulgar, em seu blog, as respostas às perguntas feitas por jornalistas antes mesmo da publicação das reportagens relacionadas a elas. A decisão foi anunciada ontem no próprio blog, em nota que afirma que as respostas só serão publicadas "por volta da 0h00 do dia da publicação da matéria". Saiba o que a CPI da Petrobrás no Senado quer investigar A divulgação antecipada das respostas - o que expunha as linhas de trabalho e os assuntos focados por cada órgão de comunicação - gerou críticas de organizações como a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).Em nota intitulada "O blog é nosso?" - referência à campanha "O petróleo é nosso", que motivou a criação da estatal -, a Petrobrás voltou a defender o uso da ferramenta da comunicação, citando como argumentos o apoio recebido de "milhares de internautas, jornalistas e entidades como ABI e OAB, entre outras". No início da noite de ontem, porém, a OAB divulgou nota reafirmando suas críticas contra a intervenção no trabalho da imprensa.O blog foi criado no dia 2, como parte da estratégia de comunicação de crise da empresa durante a CPI da Petrobrás - que ainda nem foi instalada, por conta de impasse no Senado (leia texto abaixo). A polêmica, porém, teve início no dia 4, quando foram divulgadas respostas enviadas ao jornal Folha de S.Paulo referentes ao fundo de pensão Petros, antes da publicação de reportagem. Para a ANJ, trata-se de uma "inaceitável quebra da confidencialidade que deve orientar a relação entre jornalistas e suas fontes". No programa Roda Viva, da TV Cultura, o presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, disse que a estratégia seria mantida. Ele argumentou que, como produtora do conteúdo enviado aos jornais, a Petrobrás tem o direito de decidir pela data de divulgação das informações. Ontem, porém, a revisão da estratégia foi anunciada no blog. Questionada sobre o recuo, a empresa não respondeu.Cinco dias após questionamento feito pelo Estado a respeito do valor do contrato com a consultoria de comunicação Companhia de Notícias (CDN) - chamada em esquema emergencial para apoiar a estatal durante a CPI -, a Petrobrás ainda não divulgou as informações. Ontem, a empresa chegou a informar no blog que a resposta já teria sido publicada, mas o texto não estava disponível até o fechamento desta edição.Um texto sobre o tema, sem o valor do contrato, chegou a ser publicado na noite de anteontem, mas foi retirado minutos depois. A companhia disse apenas que o contrato tem validade de três meses, renováveis por mais três, e que se deu de acordo com o decreto 2.745/1998, que cria o procedimento licitatório simplificado.

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