Sérgio Moraes/Reuters
Sérgio Moraes/Reuters

Petrobrás pede desculpas a ‘inocentes perseguidos’ pela Lava Jato

Empresa vai enviar cartas a cerca de dois mil empregados que chegaram a ser investigados pela Operação

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2019 | 20h29

RIO – A Petrobrás vai enviar até o final de dezembro cartas com pedidos de desculpas a cerca de dois mil empregados que foram investigados pela Operação Lava Jato e até hoje não tinham sido comunicados sobre o desfecho dos processos. De acordo com o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, “inocentes foram perseguidos” durante as investigações, e cabe a ele agora pedir desculpas.

“Em lugar de somente serem investigadas e punidas as pessoas que realmente cometiam atos dolosos, inocentes foram perseguidos. Essas pessoas foram investigadas e sequer tiveram direito de serem informadas sobre sua inocência ou se aquele processo havia sido inconclusivo”, afirmou Castello Branco em evento na Petrobrás no Dia Internacional Contra a Corrupção.

A Petrobrás foi uma das empresas brasileiras mais afetadas pelas investigações da Lava Jato, tendo admitido um prejuízo de R$ 6 bilhões por conta da corrupção, valor que é questionado por Castello Branco, que considera o impacto financeiro negativo muito maior pelos empreendimentos não concluídos.

“Recebemos R$ 4,2 bilhões até agora da Lava Jato, mas US$ 15 bilhões foram jogados fora no Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro); R$ 2 bilhões foram usados para construir na Bahia o templo da corrupção; e mais R$ 20 bilhões foram usados para fazer uma refinaria que produz metade do que devia (Abreu e Lima, em Pernambuco)”, enumerou Castello Branco sobre obras durante o governo do PT que deram prejuízo à Petrobrás. Ele não informou, porém, qual seria o real valor da corrupção na empresa.

Em cinco anos, Lava Jato levou à cadeia diretores e funcionários da Petrobrás

Passados cinco anos do início da Operação Lava Jato na Petrobrás, que levou à cadeia diretores e funcionários da estatal por corrupção, a empresa avalia que já pode abrir mão da rigidez imposta no primeiro momento das investigações e mudar para um sistema que permita se igualar às suas concorrentes no mercado internacional.

“A gente já identificou as falhas, expurgou da companhia as pessoas envolvidas com fraude, é hora de torná-la mais ágil, mais veloz para competir com os grandes players internacionais", afirmou o diretor de governança e conformidade da Petrobrás, Marcelo Zenker.

Ele nega que a mudança vá abrir novamente espaço para a corrupção, alegando que a cultura da integridade agora já faz parte da empresa, e que é preciso fazer a engrenagem da Petrobrás funcionar melhor. “O que vai haver é uma evolução, um aprimoramento no sentido de que mantenha os controles internos, os padrões já alcançados, mas com velocidade maior e uma velocidade de resposta maior para que a Petrobrás possa competir no mercado internacional”, informou o diretor.

Segundo ele, as regras que foram impostas à estatal após a Lava Jato estão sendo revistas, como a que limitava o poder dos diretores na compra de ativos. “Isso está sendo revisitado, mas depende de cada tipo de contratação. Todos os controles vão continuar muito sólidos, só que vamos trabalhar o empoderamento dos gestores”, concluiu.

Este ano, a Petrobrás já aplicou multas no valor de R$ 6,4 milhões com base na Lei Anticorrupção e abriu 11 processos, sendo que seis já foram concluídos. Segundo Zenker, as multas não significam que a corrupção voltou a ser praticada, mas que ocorreram atos lesivos à companhia, como, por exemplo, a entrega de documento falso por alguma empresa contratada. 

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