Petrobrás omite valor de contrato com consultoria

Estatal tem 1.150 profissionais de comunicação, mas, segundo Gabrielli, precisa de reforço para atender à demanda por informações gerada por CPI

Nicola Pamplona, O Estadao de S.Paulo

09 de junho de 2009 | 00h00

A Petrobrás omite o valor pago pela contratação, sem licitação, da consultoria de comunicação Companhia de Notícias (CDN) para apoiar a estatal durante a CPI do Senado. A pergunta foi feita pelo Estado na última sexta-feira, mas não houve resposta até ontem à noite. A Petrobrás conta com uma equipe de 1.150 profissionais em sua área de comunicação social e, segundo o presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, necessita de apoio externo para enfrentar a alta demanda por informações gerada pela CPI.    Veja também: Sem acordo, CPI da Petrobrás pode ficar para próxima semana Petrobras se antecipa à CPI com dados na internet, diz Múcio    Alvo de CPI, Petrobras lança espaço na web ESPECIAL: O que será apurado na CPI da Petrobras e a cronologia do caso "Contratação de publicidade e imprensa não tem licitação, é o que diz a lei", disse Gabrielli, que não soube informar o valor do contrato, em entrevista concedida ontem no programa Roda Viva, da TV Cultura. Ele disse não considerar alto o número de funcionários da área de comunicação da companhia, alegando que há funções que vão desde o contato com a imprensa à realização de eventos e "funções burocráticas".A contratação da CDN faz parte do programa de comunicação de crise da Petrobrás, criado em 2002 após vazamentos de petróleo e o naufrágio da P-36 e reunido novamente após a aprovação da CPI para investigar contratos da estatal. O grupo é formado por profissionais de comunicação da companhia e executivos de áreas operacionais, com o objetivo de agilizar o fluxo de informações.BLOGUma das primeiras iniciativas do grupo de crise foi abrir um blog para apresentar "fatos e dados recentes da Petrobrás e o posicionamento da empresa sobre as questões relativas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)". No ar desde o último dia 2, o blog vem sendo alimentado diariamente com reportagens publicadas na mídia sobre a companhia e as respostas enviadas pela estatal aos veículos de comunicação.A iniciativa provocou polêmica após divulgação, antes da publicação de reportagem, de perguntas feitas por repórter do jornal Folha de S. Paulo à companhia. Questionamentos encaminhados pelo Estado na sexta-feira - respondidos apenas em parte - também foram divulgados no blog. Não é costume que uma empresa - ou outra fonte jornalística - divulgue a outros veículos de comunicação o trabalho que vem sendo desenvolvido por um concorrente.TRANSPARÊNCIANo blog, a Petrobrás diz que a divulgação antecipada das perguntas tem como objetivo "dar transparência aos processos e não prejudicar o levantamento de fatos e dados de jornalistas". "Não há coisa contra o jornalista", disse Gabrielli. Ele acrescentou que a política de divulgação das informações será mantida, apesar das críticas."Como toda mídia, por definição, edita, estamos querendo apresentar a íntegra (das informações)", completou Gabrielli. No blog, há sempre comentários referentes às reportagens publicadas sobre a estatal, com a íntegra das respostas enviadas aos repórteres. "Esperamos que outras empresas ajam dessa forma."

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