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Petrobrás limita corrupção na empresa a gestões anteriores à de Graça Foster

Ao divulgar balanço, petrolífera delimita crimes sob apuração da Lava Jato ao período de janeiro de 2004 a abril de 2012 e aponta 52 contratos suspeitos, quando Paulo Roberto Costa era diretor de Abastecimento

Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

28 de janeiro de 2015 | 16h41

Rio - Ao divulgar nesta quarta-feira, 28, o balanço do terceiro trimestre do ano passado, a Petrobrás delimitou as irregularidades e crimes detectados pela Operação Lava Jato da Polícia Federal ao período que vai de janeiro de 2004 a abril de 2012, época em que Paulo Roberto Costa ocupava a Diretoria de Abastecimento da estatal. A análise se baseou em depoimentos prestados à Justiça Federal em Curitiba por Costa e outros acusados de integrar o esquema de corrupção na petrolífera. A opção sugere uma estratégia para blindar a atual presidente da estatal, Graça Foster. 

O período de investigação atinge apenas dois meses da gestão de Graça no comando da Petrobrás. Em comunicado divulgado na madrugada desta quarta, a estatal alega que “não tem ciência de evidências materiais” de que o esquema de corrupção tenha afetado “outros contratos fora do período”. A Petrobrás também sustenta que o tempo de investigação foi delimitado pela própria Operação Lava Jato, como consta nos pareceres do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. 

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O período compreende três diferentes gestões da estatal em governos petistas. O ex-presidente do PT e atual diretor corporativo da petrolífera, José Eduardo Dutra, presidiu a empresa entre 2003 e 2005, quando Costa ascendeu à Diretoria Executiva da empresa. Em seguida, José Sérgio Gabrielli assumiu o comando da estatal, sendo o executivo que permaneceu por mais tempo no cargo. Em fevereiro de 2012, ele foi substituído pela atual presidente, Graça Foster, por indicação da presidente Dilma Rousseff.

Em entrevista ao Estado, em setembro de 2014 – durante a campanha presidencial –, Dilma afirmou que “as sangrias que eventualmente pudessem existir” na estatal estavam “estancadas”. Porém, ao requerer a prisão preventiva do ex-diretor de Área Internacional, Nestor Cerveró, no dia 14 deste mês, o Ministério Público Federal sustentou que não existem indícios de que “o esquema criminoso foi estancado”. Pelo contrário, há notícias de pagamentos de ‘propinas’ efetuados por empresas para diretores da Petrobrás mesmo em 2014”, afirmaram os procuradores da força-tarefa da Lava Jato. 

Contratos. Conforme o balanço divulgado ontem, a Petrobrás identificou 52 contratos com as empresas suspeitas de formação de cartel. Esses empreendimentos representam quase um terço de todo o patrimônio da estatal – volume superior a R$ 188 bilhões. Segundo o levantamento da empresa, quase a metade dos empreendimentos analisados foram gestados na Diretoria de Abastecimento, comandada por Costa: foram 21 projetos que tiveram seus valores reavaliados. 

Além dos empreendimentos na área de Abastecimento, a empresa reavaliou ativos na área de Gás e Energia (11). A diretoria era comandada por Ildo Sauer, entre 2003 e 2007, quando foi assumida por Graça Foster. Também foram identificados 19 contratos na diretoria de Exploração e Produção, que foi comandada por Guilherme Estrella até 2012. 

Os contratos foram identificados a partir dos depoimentos de Costa e do doleiro Alberto Youssef, além dos depoimentos e delações premiadas dos executivos Julio Camargo, consultor do Grupo Toyo, e Augusto Ribeiro de Mendonça, um dos acionistas da empresa Setal. As duas empresas têm contratos de mais de US$ 3 bilhões com a estatal.

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