Petrobras espera ter P-34 estabilizada nesta noite

O gerente de Segurança, Meio-Ambiente e Saúde da Petrobras na Bacia de Campos, Agostinho Mota Robalinho, afirmou que a plataforma P-34 "provavelmente estaria estabilizada até o fim da noite", descartando o risco de naufrágio. Segundo ele, o inclinação da P-34, que atingiu 32º para a esquerda em seu momento mais crítico, após uma pane no sistema elétrico, havia sido reduzida para 13º por volta das 13h30, com o bombeamento de 5,2 milhões de litros de água do mar para tanques do lado direito da embarcação.Questionado sobre eventuais falhas nos procedimentos de segurança da empresa, Robalinho admitiu, em tese, a possibilidade de haver modificações no processo de treinamento de funcionários para situações de emergência, caso sejam detectados problemas durante a apuração das causas do acidente: "Se o acidente revelar que existem considerações que não enxergamos anteriormente, outros dispositivos serão adotados. Se isso realmente for constatado, certamente a gente vai reavaliar algumas práticas. Acidentes podem contribuir para a melhoria do processo".O fato de os treinamentos ocorrerem somente durante o dia é um dos pontos que poderiam ser modificados, apesar de o gerente sustentar que a empresa "entende que isso não é necessário". Para o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense, se o acidente tivesse ocorrido durante a noite "certamente haveria vítimas" entre os 25 operadores que tiveram de se lançar ao mar e nadar por cerca de 40 minutos, em busca de salvamento. Por esse motivo, a entidade entrou com representação no Ministério Público do Estado, solicitando a instauração de inquérito criminal para apurar a eventual responsabilidade da Petrobras nos crimes de exposição a perigo grave e inutilização de material de salvamento. Na ocasião, dois funcionários da estatal foram internados com hipotermia. O gerente da Petrobras disse que o procedimento de atirar-se ao mar está previsto na legislação internacional como recurso de salvamento, em situações de risco.Ele reconheceu que o treinamento básico de acesso às plataformas, que dura o período mínimo de 16 horas, não tem caráter reprovatório. De janeiro de 2001 até agosto deste ano, cerca de 25 mil pessoas foram submetidas aos testes de prevenção de acidentes, combate de incêndios, salvatagem e sobrevivência no mar. Segundo ele, o treinamento prevê a reciclagem obrigatória de funcionários no período que varia com a atividade que cada um tem a bordo. O gerente afirmou que funcionários terceirizados e efetivos recebem o mesmo tratamento.Mais de cem técnicos da Petrobras e de empresas contratadas estão trabalhando na operação de salvamento da P-34. Técnicos da empresa também estão ajudando nas buscas ao barco pesqueiro Erizeu III, desaparecido com quatro tripulantes na Bacia de Campos. O barco deixou o porto de São João da Barra há 15 dias.Veja o especial sobre a P-34

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