Petrobrás e ex-executivos não comentam reuniões

Advogado de ex-gerente afirma que operadores eram espécie de 'agentes autônomosde investimentos'

O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2015 | 02h02

Os principais ex-executivos da Petrobrás que, de acordo com relato do ex-gerente executivo da estatal Pedro Barusco receberam a visita de lobistas apontados como operadores de propinas na empresa, não foram localizados ontem para comentar o assunto.

A reportagem ligou para o telefone pessoal da ex-presidente da Petrobrás Graça Foster ontem. Na primeira tentativa, seu filho, que não quis se identificar, atendeu ao telefone e informou que Graça não poderia falar e logo depois a ligação caiu. A reportagem insistiu durante a tarde, mas ninguém atendeu.

Já a assessoria do também ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli foi contatada por e-mail e por telefone, mas ao final do dia informou que ele não conseguiria ser localizado ontem para comentar o assunto. Ambos, contudo, negam veementemente qualquer envolvimento com o esquema de corrupção e propinas na Petrobrás.

Questionada por e-mail sobre os documentos que relatam os encontros realizados pelos supostos operadores financeiros na empresa, a assessoria de imprensa da Petrobrás não respondeu ao contato da reportagem até a conclusão desta edição.

Vítima. Desde o início da Lava Jato, a Petrobrás vem reiterando que colabora com as investigações e que é vítima do esquema de propinas provocado por alguns ex-funcionários. A estatal também é tratada como vítima do escândalo perante a Justiça Federal.

Na prática, a Petrobrás saiu do posto de "observadora pacífica" nos autos para ficar do lado da acusação contra os empreiteiros, lobistas e até seus ex-executivos que estão presos em caráter preventivo como Nestor Cerveró e Renato Duque, além de Paulo Roberto Costa, que cumpre pena em regime domiciliar.

O advogado João Carlos Castellar, que defende o ex-gerente da Refinaria de Abreu e Lima Glauco Legatti, informou que seu cliente "nunca recebeu (o suposto operador Bernardo) Freiburghaus na Petrobrás".

Segundo o defensor, Freiburghaus era um "agente autônomo de investimentos" e oferecia oportunidades de aplicações e investimentos aos "funcionários mais graduados da estatal", de acordo com o que lhe relatou Legatti. Castellar, contudo, afirma que seu cliente nunca aceitou qualquer uma das ofertas de investimentos de Freiburghaus.

Ontem, o doleiro Bernardo Freiburghaus não foi encontrado em sua residência na Suíça para comentar o caso. Há 15 dias, no único encontro do doleiro com um jornal brasileiro, Freiburghaus ofendeu a reportagem ao ser questionado sobre o caso da Petrobrás e garantiu: "Não conheço ninguém".

Na ocasião, Freiburghaus se recusou a comentar o fato de que os ex-diretores da Petrobrás revelaram em delação premiada no Brasil que ele seria o operador que gerenciava as contas na Suíça, abertas para receber as propinas do esquema envolvendo a Petrobrás revelado pela Operação Lava Jato. / M.C. e JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE, GENEBRA

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