Petrobrás diz que vai cobrar ex-diretores por prejuízo

Estatal vê responsabilidade de Gabrielli, Costa e Cerveró em perdas com Pasadena; empresa vai criar área anticorrupção

Agência Estado

17 de novembro de 2014 | 22h00

A Petrobrás está disposta a ir à Justiça cobrar de funcionários e ex-diretores envolvidos em irregularidades o ressarcimento dos prejuízos causados. O Broadcast, serviço de notícias em tempo real da 'Agência Estado', apurou que a decisão foi tomada na última semana, após o Conselho de Administração reconhecer a responsabilidade do ex-presidente José Sérgio Gabrielli, e dos ex-diretores Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, nas perdas com a compra da refinaria texana de Pasadena, em 2006. O Tribunal de Contas da União (TCU) estima que o negócio tenha gerado perda de US$ 792 milhões à petroleira. 

No primeiro posicionamento público sobre o escândalo de corrupção na estatal, a presidente Graça Foster admitiu a ocorrência de desvios na empresa e disse ter sido "surpreendida" com a prisão dos ex-diretores pela Operação Lava Jato. 

A executiva classificou a situação enfrentada pela Petrobrás como "difícil e dolorosa" e pediu a investidores que "mais uma vez" acreditem na empresa. Graça também afirmou que pretende criar uma diretoria de governança corporativa para melhorar os procedimentos internos da estatal. "Não quero ser surpreendida outras vezes", disse. 

Na última sexta-feira, durante a reunião do conselho de administração, a proposta de criação da diretoria foi discutida entre os integrantes, no pacote de medidas em resposta às denúncias de corrupção. No encontro, ficou definido que a Petrobrás buscará judicialmente o ressarcimento dos prejuízos causados pelas irregularidades praticadas por seus ex-funcionários e diretores. 

A auditoria interna realizada durante oito meses identificou 15 responsáveis por irregularidades em Pasadena, nos Estados Unidos. Entre eles estão dois executivos da empresa Astra Oil, que vendeu 50% da refinaria para a Petrobrás, em 2006 por um US$ 360 milhões - valor oito vezes superior ao que a companhia belga havia pago, um ano antes, por toda a unidade de refino. 

O resultado da auditoria será encaminhado ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal para que os acusados sejam responsabilizados na esfera cível. Mas, no caso de funcionários que ainda trabalham na empresa, serão abertos processos administrativos que podem levar a exonerações de cargos. 

Desvios. Gabrielli e Cerveró, por meio do seu advogado, Edson Ribeiro, disseram desconhecer as acusações levantadas na última reunião do conselho. 

Gabrielli afirmou que aguarda a comunicação formal para se posicionar. 

O advogado de Cerveró criticou a estatal por responsabilizar a diretoria pela compra de Pasadena. "Estão rasgando o estatuto da Petrobrás, que responsabiliza o conselho por decisões de aquisições", alegou Ribeiro. 

As investigações internas também apontaram o envolvimento de gerentes e executivos de empresas subsidiárias da Petrobrás em irregularidades nas obras da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Graça Foster disse ontem que o custo total da Rnest será de US$ 18,5 bilhões - o orçamento inicial previa gastos de US$ 2,5 bilhões. 

Ao menos oito funcionários que ainda trabalham na estatal foram relacionados como alvo de processos administrativos, conforme apurou o Broadcast, serviço de informação em tempo real da Agência Estado, com fontes próximas ao conselho da Petrobrás. "Foi apresentado uma relação de nomes de envolvidos. Tem muita gente da ativa, gerentes, executivos de subsidiárias", disse uma fonte que pediu anonimato. 

Governança Além das auditorias internas, a companhia pretende gastar mais R$ 19 milhões com a contratação dos dois escritórios de advocacia especializados em investigações de corrupção. Eles foram contratados em outubro para apurar de forma independente os desvios na estatal. Por orientação dos escritórios, a estatal pediu aos funcionários, em comunicado encaminhado na última semana, que não destruam documentos. 

A medida integra um pacote de ações de melhoria da governança da empresa, anunciados nessa segunda-feira, 17, pela presidente Graça Foster. Outra ação, ainda em estudo, é a criação de uma nova diretoria, de Governança Corporativa, a sétima na empresa. A proposta foi apresentada rapidamente para o conselho de administração, na última sexta-feira, mas somente amanhã terá detalhadas as informações de sua estrutura e composição. 

Após quatro meses evitando discursos e entrevistas, a executiva veio à público em meio à especulações sobre mudanças na diretoria da empresa, em função da reforma ministerial. Ela negou que haja qualquer informação sobre demissões no comando da estatal. "Sou integrante da diretoria colegiada e não há nenhuma informação sobre mudanças na diretoria", afirmou a executiva. /Antonio Pita, Fernanda Nunes, Mariana Durão e André Magnabosco

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