Petrobrás diz em nota que funcionária teve oportunidade de revelar fatos antes e não o fez

A geóloga Venina Veloso revelou a jornal que avisou em 2009 à presidente da estatal, Graça Fostar, sobre irregularidades

FERNANDA NUNES, Estadão Conteúdo

12 de dezembro de 2014 | 21h25

A Petrobrás divulgou comunicado oficial na noite desta sexta-feira, 12, no qual informa que a funcionária Venina Velosa da Fonseca "teve a oportunidade, mas não revelou os fatos que está trazendo agora ao conhecimento da imprensa". A nota responde à denúncia divulgada nesta sexta pelo jornal Valor Econômico de que Venina teria avisado a presidente da estatal, Graça Foster, de irregularidades na diretoria de Abastecimento da empresa, na época comandada por Paulo Roberto Costa, delator na Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Segundo a estatal, Venina chegou a ser ouvida por comissão interna que apurou possíveis casos de corrupção nas obras para a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. "A empregada guardou estranhamente por cerca de cinco anos o material e hoje possivelmente o traz a público pelo fato de ter sido responsabilizada pela comissão", afirmou.

Venina foi afastada do cargo de presidente do escritório da Petrobras em Cingapura após comissão interna da Petrobras ter concluído que ela, entre outros empregados, não cumpriram os procedimentos corretos de contratações.

Confira a íntegra do texto: 

"Com referência às matérias publicadas na imprensa a respeito de denúncias feitas pela empregada Venina Velosa, a Petrobras reitera que tomou todas as providências para elucidar os fatos citados nas reportagens. Não procede a afirmação de que não houve apuração por parte da Companhia em nenhum dos três casos citados por ela: RNEST, Compra e Venda de BUNKER e Irregularidades da Gerência de Comunicação do Abastecimento.

A Petrobras instaurou comissões internas de apuração, entre as quais uma referente aos procedimentos de contratação nas obras da RNEST, em 2014. A empregada foi ouvida nesta comissão, momento em que teve a oportunidade mas não revelou os fatos que está trazendo agora ao conhecimento da imprensa. A empregada guardou estranhamente por cerca de 5 anos o material e hoje possivelmente o traz a público pelo fato de ter sido responsabilizada pela comissão.

A empregada foi citada no relatório desta Comissão com referência a responsabilidades por não conformidades consideradas relevantes. O resultado foi enviado às Autoridades Competentes (MPF, PF, CVM, CGU e CPMI) para as medidas pertinentes. A empregada foi destituída da função de diretora presidente da empresa Petrobras Singapore Private Limited em 19/11/2014, após o que ameaçou seus superiores de divulgar supostas irregularidades caso não fosse mantida na função gerencial.

A Petrobras instaurou comissões internas em 2008 e 2009 para averiguar indícios de irregularidades em contratos e pagamentos efetuados pela gerência de Comunicação do Abastecimento. O ex-gerente da área foi demitido por justa causa em 3 de abril de 2009, por desrespeito aos procedimentos de contratação da Companhia. A demissão não foi efetivada naquela ocasião porque seu contrato de trabalho estava suspenso, em virtude de afastamento por licença médica. A demissão foi efetivada em 2013. O resultado das análises foi encaminhado para a CGU e MP/RJ e há uma ação judicial em andamento visando ao ressarcimento dos prejuízos causados à companhia pelo ex-empregado.

Após resultado do Grupo de Trabalho constituído em 2012, a Petrobras aprimorou os procedimentos de compra e venda de bunker, com a implementação de controles e registros adicionais. Com base no relatório final, a Companhia adotou as providências administrativas e negociais cabíveis. A Petrobras possui uma área corporativa responsável pelo controle de movimentações e auditoria de perdas de óleo combustível, que não constatou nenhuma não conformidade no período de 2012 a 2014".

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