Reprodução
Reprodução

Petrobrás deu apoio ‘não financeiro’ a projeto da Diamond

Após intervenção de Lobão, estatal contribuiu na capitalização de recursos para dois fundos criados pela holding

Andreza Matais, Talita Fernandes e Fábio Fabrini, O Estado de S. Paulo

16 de maio de 2015 | 18h00

BRASÍLIA - A Petrobrás deu apoio “não financeiro” a um projeto da Diamond Mountain Investimentos e Gestão de Recursos em 2012, após negociações de representantes da empresa com o ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão (PMDB-MA). O peemedebista é suspeito de ser sócio oculto da holding que controla a empresa, sediada nas Ilhas Cayman.


Em carta à Diamond em março de 2012, o gerente executivo de Finanças da Petrobrás, Gustavo Tardin Barbosa, disse que iria contribuir na capitalização de recursos para dois fundos criados pela empresa, cujo objetivo era prospectar investimentos de fornecedoras da estatal.

"Prontificamo-nos a, eventualmente, acompanhar V.Sas. durante o processo de capitalização do FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), participando de reuniões com investidores nacionais e estrangeiros, bem como fornecendo informações e material que se mostrem necessários”, escreveu Barbosa no documento. “Permanecemos à disposição de V.Sas. para a criação de ações conjuntas que se fizerem necessárias para se alcançar o sucesso do programa”, complementou o gerente executivo.

O nome da Petrobrás aparece por diversas vezes em inquérito que investiga sócios da Diamond. Em e-mails obtidos pelo Estado, eles mencionam ao menos três encontros com Lobão em 2011. O ex-ministro admite uma reunião no Ministério de Minas e Energia, em 2 de junho daquele ano, para tratar do fundo voltado a fornecedores da Petrobrás, cujo objetivo era atrair R$ 30 bilhões em investimentos.

De acordo com a ata do encontro no ministério, os representantes da Diamond fizeram no encontro “uma breve descrição da empresa, que administra no Brasil US$ 5 bilhões em fundos de empresas”. Além disso, disseram que o grupo administra no Brasil fundos com 90% de “atuação na área de infraestrutura, estando entre seus clientes a Petrobrás”.

A Diamond consta como gestora de cinco fundos de investimento na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Desses cinco, um é voltado para a área de energia e outro para o setor de óleo e gás. A Diamond, em nota, negou relação com a estatal petrolífera. “A empresa tentou diversos aportes da Petrobrás, mas nunca foi bem sucedida”, disse.

Os executivos da Diamond tentaram também a entrada no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Um dos e-mails da empresa mostra que um ex-diretor do banco de fomento, Darlan José Dórea Santos, acertou aporte da instituição num fundo do grupo. A expectativa era de investimentos entre R$ 20 milhões e R$ 45 milhões.

O BNDES explicou que, em 20 de abril de 2012, um representante da Diamond se reuniu com o diretor do banco Julio Ramundo. “O assunto do encontro foi a possível organização de um FDIC para a cadeia de fornecedores da Petrobrás. A reunião ocorreu a pedido do ex-diretor Darlan Santos”, informou em nota. O banco informou ainda que a proposta não foi analisada por não atender “aos requisitos estabelecidos pelas políticas do BNDES”.

Tudo o que sabemos sobre:
Edison LobãoPetrobrás

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.