Petrobras cria blog e causa polêmica com imprensa

Em meio ao noticiário sobre ingerências políticas, suspeitas em contratos e mecanismos de licitação e a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado para investigar a Petrobras, a estatal criou o Blog Fatos e Dados, no qual tem publicado listas de perguntas e respostas encaminhadas por jornais como o Estado, "Folha de S. Paulo" e "O Globo" antes da veiculação das reportagens. No blog, há sempre comentários referentes às reportagens publicadas sobre a estatal, com a íntegra das respostas enviadas aos repórteres.

AE, Agencia Estado

09 de junho de 2009 | 09h53

No ar desde o último dia 2, a iniciativa provocou polêmica após divulgação, antes da publicação de reportagem, de perguntas feitas por repórter do jornal "Folha de S. Paulo" à companhia. Questionamentos encaminhados pelo Estado na sexta-feira - respondidos apenas em parte - também foram divulgados. No blog, a Petrobras diz que a divulgação antecipada das perguntas tem como objetivo ?dar transparência aos processos e não prejudicar o levantamento de fatos e dados de jornalistas?. ?Não há coisa contra o jornalista?, disse o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. Ele acrescentou que a política de divulgação das informações será mantida, apesar das críticas.

A Associação Nacional dos Jornais (ANJ) divulgou nota ontem repudiando a criação do blog da Petrobras. Para a entidade, a atitude quebra o caráter confidencial que deve ter a correspondência entre os jornalistas e as fontes oficiais da empresa, revelando uma ?canhestra tentativa de intimidar? a imprensa.

A Petrobras respondeu à nota da ANJ no próprio blog que motivou as críticas da entidade. A empresa afirmou que ?respeita os princípios universais de liberdade de imprensa, tanto que, em nenhum momento, se esquivou de responder às perguntas enviadas, de forma direta e clara?. Sobre a polêmica que envolve a divulgação prévia das pautas de órgãos de comunicação, a Petrobras alegou não ter compromisso de confidencialidade com jornalistas. ?Isso limitaria o próprio caráter público e aberto da informação."

Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, a companhia pode encontrar outras formas de garantir a transparência e a publicação de suas posições em matérias jornalísticas sem quebrar o princípio de exclusividade, que faz parte da essência da atividade. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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