Petrobras condenada a indenizar família de operário morto

A Petrobras foi condenada pelo juiz Pedro Saraiva de Andrade Lemos, da 9ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio, a pagar indenizações por danos morais e materiais à família do operador de produção Charles Roberto Oscar, morto no acidente com a plataforma P-36, que afundou em abril de 2001. É a primeira condenação sofrida pela estatal - em primeira instância - no processo de indenização das famílias dos 11 mortos na tragédia.O juiz determinou que a viúva, Vanúzia de Souza Oscar, e os filhos, Charles Roberto Oscar Filho e Tábita de Souza Oscar, recebam uma pensão mensal equivalente ao salário do funcionário, de R$ 1.800 na época do acidente. Vanúzia ficará com 50%, e cada filho, com 25%, até completar 21 anos.Por danos morais, eles receberão juntos 400 salários mínimos - 200 para a viúva e 100 para cada filho. A mãe do funcionário, Cecília Feliciano Oscar, vai receber 100 salários mínimos, e suas irmãs, Chirlene Maria Oscar e Shirlei Aparecida Oscar de Andrade, 30 salários cada.O advogado da vítima, João Tancredo, informou que vai entrar com recurso em relação aos valores da indenização por danos morais, que ele considera "irrisórios e aviltantes". "É mais barato para a Petrobras continuar matando do que investir em segurança", afirmou.Tancredo, no entanto, comemorou a condenação. "É um começo. A sentença abre caminho para as demais famílias e, apesar dos valores, tem um acerto, a indenização da mãe e das irmãs da vítima", disse o advogado. "Vanúzia e os filhos deverão receber cerca de R$ 1 milhão ao longo da vida em indenização por danos materiais."A assessoria de imprensa da Petrobrás informou que o departamento jurídico da empresa encaminhou nesta terça-feira à 9ª Vara Cível "embargo de declaração", pedindo esclarecimentos do juiz sobre a decisão. Em seguida, deverá entrar com recurso. A empresa alegou que "continua negociando paralelamente com famílias para tentar chegar a um acordo".

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