Petrobrás admite falha em projeto

Gerente diz que empresa teve de refazer previsão sobre refinaria ao descobrir que parte do solo tinha mobilidade

Leandro Cólon e Leonardo Goy, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2009 | 00h00

Sob pressão da oposição, dois gerentes da Petrobrás depuseram ontem na CPI da Petrobrás e admitiram falhas no projeto inicial da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. O gerente-geral de implementação de empreendimentos da obra, Glauco Legatti, contou que foi necessário refazer a previsão do projeto em relação ao solo da região. Segundo ele, a empresa descobriu que parte do solo era "expansiva" - com grande mobilidade -, em que há dificuldades de trabalho. A descoberta contradiz o projeto inicial apresentado pela Petrobrás há mais de quatro anos.Em nota, durante o depoimento, a empresa justificou a falha. "Somente após o início da obra, verificou-se que a quantidade era maior que a prevista. A Petrobrás, então, reviu as técnicas utilizadas", explicou.De acordo com os senadores oposicionistas, Legatti e o gerente de custos e estimativas, Sérgio Santos Arantes, não conseguiram explicar detalhes sobre o aumento de R$ 10 bilhões para R$ 23 bilhões nos custos da obra. A refinaria é uma das principais bandeiras do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto a oposição atuou para pressionar os dois funcionários, os governistas, que detêm o comando da comissão, trabalharam para manter o depoimento no âmbito técnico. O objetivo era esvaziar a discussão política e a própria sessão.A Refinaria Abreu e Lima, lançada em 2005, está sob suspeita desde o ano passado, quando o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu investigá-la. Na semana passada, o Estado revelou que recente auditoria do TCU indica um sobrepreço de R$ 121 milhões em quatro contratos da obra. A auditoria também acusa o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, de sonegar documentos. A análise é decorrente de uma investigação preliminar, que já havia apontado superfaturamento nos contratos de terraplenagem, que somam R$ 430 milhões.METODOLOGIALegatti negou que os preços da obra sejam irreais. Alegou que há diferença na metodologia utilizada pelos técnicos do TCU em relação à empregada pela Petrobrás. "No nosso entendimento, todas as propostas estão dentro do nível de aceitabilidade", afirmou. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) questionou, então, a elevação do orçamento da obra de US$ 4 bilhões, em 2005, para US$ 12 bilhões este ano. "Não posso deixar de ficar boquiaberto", disse Tasso. Ele observou que, apesar do aumento, a previsão produtiva permanece em 200 mil barris de petróleo por dia.O gerente da Petrobrás não deu detalhes sobre os motivos do aumento nas despesas. Argumentou que a previsão inicial fazia parte de um "projeto conceitual". "Estamos fazendo adaptação e adequando o orçamento. Esse número vem sendo discutido por etapas", explicou Legatti. Ele citou, entre as possíveis justificativas, aumento de preço dos produtos, correção cambial e inclusão de novas unidades. "Contratos dessa magnitude sofrem reajuste", afirmou. "É um erro gravíssimo, porque muda todo o quadro de retorno de investimento da Petrobrás", criticou Tasso. O gerente da estatal prometeu entregar à CPI mais informações sobre o orçamento da refinaria.

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