Petistas rebatem críticas de Aécio ao governo federal

Candidato a presidente nacional do partido afirma que discurso de governador não era assim no passado

Eduardo Kattah, de O Estado de S. Paulo,

10 de setembro de 2009 | 18h45

Petistas reagiram nesta quinta-feira, 10, às críticas do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), que no dia anterior cobrou uma "ação mais consistente" do governo federal no Estado e acusou a Casa Civil de "descaso" em relação à proposta de uma Parceria Público-Privada (PPP) para a ampliação do metrô de Belo Horizonte. Para José Eduardo Dutra, candidato a presidente nacional do PT pela corrente Construindo um Novo Brasil, o governador mineiro surpreendeu ao adotar um discurso mais eleitoral.

 

"Parafraseando aquela história do gato que subiu no telhado, eu diria que o governador subiu no palanque. O risco é que possa acontecer o mesmo que aconteceu com o gato (que na piada original, cai do telhado)".

 

Dutra participou da entrevista de lançamento da candidatura do secretário nacional de Comunicação do PT, Gleber Naime, à presidência do diretório mineiro do partido. "Me surpreendeu porque esse não era o espírito do discurso do governador toda vez que o presidente vinha aqui", disse o petista, lembrando que esteve em Minas em 2004 como presidente da Petrobrás para assinar um acordo para a ampliação da participação da estatal no capital da Companhia de Gás do Estado (Gasmig).

 

"Na época o governador elogiava muito a postura do governo federal, por ser um governo republicano, que não perseguia adversários e louvava a parceria que se fazia aqui".

 

Pré-candidato tucano à Presidência em 2010, Aécio irritou com as críticas a Casa Civil, chefiada pela ministra Dilma Rousseff, virtual candidata do PT na disputa.

 

"O governador é candidato a candidato a presidente do Brasil. Naturalmente, ele é um candidato de oposição e vai fazer as críticas. Agora, a população vai ter a oportunidade de fazer a comparação", disse Dutra, citando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - "os oito anos em que o Brasil foi administrado pelo partido do governador Aécio Neves".

 

Naime foi na mesma linha e ironizou um dos jargões do governador mineiro, que defende que na campanha presidencial o PSDB reconheça avanços do atual governo e proponha melhorias. "O Aécio não é pós-Lula, o Aécio é antes do Lula. Eles já governaram o Brasil", afirmou o secretário nacional do PT.

 

Candidato próprio

 

Além de Naime, outras quatro candidaturas foram registradas para a disputa da presidência do PT em Minas no Processo de Eleição Direta (PED), marcado para 22 de novembro: o deputado federal Reginaldo Lopes, que tenta a reeleição, o também o deputado federal Gilmar Machado, o deputado estadual Padre João e Oleg Abramov Júnior, um representante de Juiz de Fora.

 

A eleição partidária tem como pano de fundo a condução da disputa pelo governo mineiro em 2010. Concorrem à indicação como candidato petista o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel.

 

Naime apoia Patrus e ontem (10) deixou claro que espera que o PT tenha candidato próprio. Embora o discurso oficial seja de que o projeto nacional visando a eleição da ministra da Casa Civil deve se sobrepor às pretensões nos Estados, os petistas mineiros resistem a qualquer aproximação com o PMDB do ministro das Comunicações, Hélio Costa, também pré-candidato ao governo estadual. "Chegou a vez do PT governar Minas", afirmou Naime.

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