Petistas reagem e dizem que maioria quer licença

Flávio Arns diz que Múcio ?falta com a verdade? e Suplicy afirma que ministro deveria ouvir senadores

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

28 de julho de 2009 | 00h00

Senadores do PT não demoraram ontem para reagir à estratégia do Planalto de minimizar o apoio da bancada ao afastamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Algumas horas após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reunir a coordenação política do governo para discutir a nota do líder Aloizio Mercadante (SP), petistas não apenas reforçaram a proposta de licença, como cobraram do governo que respeite a posição. Sem economizar nas críticas, o senador Flávio Arns (PR) disse que a posição da bancada é "totalmente contrária" à do presidente Lula, mas nem por isso pode ser desconsiderada. "A bancada é uma coisa, o presidente da República é outra." As críticas mais duras, entretanto, foram endereçadas ao ministro José Múcio Monteiro (PTB), que fez o papel de porta-voz do encontro. Arns disse que o ministro teve uma postura "absolutamente equivocada" ao dizer que o pedido de licença refletia a vontade de "um ou dois senadores". "Repudiamos declarações desta natureza, que só fazem colocar a bancada numa posição que não condiz com o que a sociedade espera de nós."Ao reafirmar que é a favor do afastamento, o senador Eduardo Suplicy (SP) disse que comunicou pessoalmente a Lula a posição na semana passada, em visita do presidente a São Paulo. E, assim como Arns, devolveu a alfinetada de Múcio. "Se o ministro José Múcio tiver o cuidado de ouvir todos os senadores do Partido dos Trabalhadores, vai ver que esta posição é majoritária e consistente", respondeu. Ele afirmou que os senadores "respeitam a posição do governo", mas voltou a pedir que Sarney se apresente ao Conselho de Ética, para prestar esclarecimentos sobre as acusações que pesam contra ele. Entre os 12 senadores do PT, não são poucos os que já expressaram abertamente a posição em favor do afastamento. Somente desde a semana passada, após o Estado revelar que Sarney teria negociado com o filho Fernando a contratação do namorado da neta na Casa, cinco defenderam publicamente a licença. Na lista, além de Mercadante, Suplicy e Arns, estão Serys Slhessarenko (MT) e Tião Viana (AC). Outros, como a senadora Marina Silva (AC), já vinham apoiando a licença desde o início deste mês. Ontem, o senador Paulo Paim (RS) evitou se aprofundar no tema. Dizendo não ter acompanhado de perto o noticiário durante o recesso, ele afirmou apenas que continua apoiando a nota emitida no início do mês. No texto, a bancada adotou um tom dúbio. Optou por "sugerir" a Sarney que se licencie, mas destacou que se trata de uma "decisão a ser tomada pelo senador". Outros senadores do PT não foram encontrados.

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