FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Petistas sugerem que Frente Brasil Popular dispute eleições

Grupo formado por partidos e movimentos sociais contrários ao impeachment se apresentaria como uma frente de esquerda

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2016 | 06h00

Em meio à busca por soluções para a maior crise da história do PT, militantes influentes sugerem que a Frente Brasil Popular (FBP), formada por partidos e movimentos sociais contrários ao impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff, seja adaptada para disputar eleições com base na reforma política que tramita no Congresso. 

A proposta foi apresentada pelo jornalista Breno Altman em reunião de petistas que integram a FBP, cerca de duas semanas atrás. O primeiro passo seria abrir a frente, que hoje só recebe partidos e entidades, para filiações individuais para, em um segundo momento, a depender da reforma política, disputar eleições. 

“Também exigiria o amadurecimento das condições políticas, programáticas e organizativas para que a FBP viesse a se constituir em alternativa de poder, disputando eleições em todos os níveis. Mas seria um grande avanço se a FBP pudesse ser o embrião de uma coalizão política de toda a esquerda”, disse Altman.

A proposta, ainda embrionária, ganhou apoio de nomes importantes do PT como o ex-ministro Tarso Genro. 

“Entendo que na FBP e os demais movimentos políticos que estão florescendo em diversos lugares e meios do País devem estabelecer um diálogo horizontal para, em negociação com os partidos e frações de partidos de progressistas, tratarem de compor uma nova frente política, programática, de caráter popular, pluralista e democrática”, afirmou Tarso. 

A ideia é transformar a FBP, composta por mais de 60 movimentos populares e sindicatos, além de PT, PCdoB e PCO, em uma federação de partidos, prevista na reforma política. 

Segundo Tarso, para que seja viável, a FBP deve ser horizontal, sem hegemonias nem candidatos pré-definidos. Altman nega que o objetivo seja criar um “biombo” para driblar a rejeição ao PT, explicitada nas eleições municipais deste ano. “De forma alguma. A estratégia frentista responde ao encerramento de um ciclo histórico iniciado em 1980. Nenhum dos partidos de esquerda, nem mesmo o PT, pode mais reivindicar a condição de síntese do campo progressista”, disse ele.

Oposição. A proposta já encontra oposição entre os movimentos que integram a FBP. “Se for encaminhada formalmente esta sugestão terá a nossa oposição”, afirmou o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas.

Criada para mobilizar movimentos anti-impeachment, a FBP passa por um debate interno sobre a possibilidade de elaborar um programa para o País e mudar sua estrutura de organização. Estas questões serão discutidas durante uma conferência no início de dezembro, em Belo Horizonte. 

“Isso vai contra a maior crítica que fazemos aos partidos de esquerda que é a de priorizarem muito a disputa eleitoral”, disse Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares. 

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