Petistas negam crise de identidade na legenda

A notícia de que o PT perdeu uma de suas cadeiras no Senado e corre o risco de ficar sem uma segunda foi entendida no partido como um recado claro. A prioridade é manter a governabilidade e fortalecer a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, custe o que custar. No partido, contudo, representantes das principais correntes descartam a tese de que a legenda viva uma crise de identidade. A avaliação é de que a decisão da senadora Marina Silva (AC) de deixar a sigla e a ameaça de Flávio Arns (PR) de ir pelo mesmo caminho são casos individuais. "Não estamos abrindo mão de nenhuma posição do PT", diz o ex-senador José Eduardo Dutra, que vai disputar a presidência do partido pelo grupo do presidente Lula, Construindo um Novo Brasil.A tese também circula na corrente Mensagem ao Partido. Ou ainda no grupo Movimento PT, que disputará a eleição interna com o deputado Geraldo Magela (DF). "O PT tem a responsabilidade de governar o País e isso tem ônus e bônus", diz Magela.A posição é compartilhada até por membros da chamada esquerda petista. "O PT tem o desafio de governar o País como ele é e não como gostaríamos que fosse", avalia a deputada Iriny Lopes (ES), da Articulação de Esquerda. Markus Sokol, do grupo O Trabalho, atribui a motivos pessoais a saída dos senadores. Mas ataca a política de alianças. "Estamos pagando pedágio pela aliança com o PMDB", diz. "Essa aliança com partidos de direita vai levar à destruição do PT", emenda Serge Goulart, da Esquerda Marxista.Petistas lamentam a saída de Marina e reconhecem que ela poderá levar para o PV alguns aliados, como o ex-deputado Luciano Zica, que já pediu desfiliação. Já Arns não desperta a mesma reação. Petistas atribuem seu discurso de que se sente "envergonhado" a uma manobra para garantir sua cadeira no Senado. Seu mandato termina em 2011, mas a vaga do PT no Paraná deve ficar com Gleisi Hoffmann. "Se tem alguém priorizando a questão eleitoral não é o PT", ironizou Iriny.

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