Petistas não querem governo Dilma com cara de 'governo velho'

Em conversa reservada com a Agência Estado, petista ligado à cúpula do governo de transição defendeu a mudança de titulares, ainda que o ministério permaneça sob controle do mesmo partido

Andrea Jubé Vianna, da Agência Estado

12 de novembro de 2010 | 16h55

BRASÍLIA - Embora o governo Dilma Rousseff represente a continuidade do governo Lula, o sentimento que prevalece nos bastidores da transição é o de que não é preciso manter as mesmas pessoas nos cargos. Em conversa reservada com a Agência Estado, um petista ligado à cúpula do governo de transição defendeu a mudança de titulares, ainda que o ministério permaneça sob controle do mesmo partido. "Tem que mudar os nomes, senão fica com cara de governo velho. É um governo de continuidade, mas não pode ser igual ao do Lula", enfatizou.

 

A crítica tem endereço certo: os dirigentes partidários que pleitearam, nas conversas com o presidente do PT, José Eduardo Dutra - escalado por Dilma para fazer a interlocução do governo de transição com os partidos aliados - a manutenção dos espaços que ocupam atualmente na Esplanada.

 

Não é segredo, por exemplo, que o PR movimenta-se para reconduzir o presidente nacional da sigla, senador Alfredo Nascimento (AM), ao comando do Ministério dos Transportes. Da mesma forma, o PDT deseja manter no posto o presidente da legenda e ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

 

Já o PMDB gostaria de preservar o ministro Wagner Rossi - da cota pessoal do vice-presidente eleito, Michel Temer - na pasta da Agricultura. Também o senador reeleito Edison Lobão (PMDB-MA) é cotado para reassumir o Ministério de Minas e Energia.

 

Mas este petista estrelado argumenta que, no caso de "ministérios periféricos" - que não compõem o núcleo duro do poder (como Fazenda, Planejamento e Casa Civil) -, não justifica manter o mesmo ministro, ainda que o órgão permaneça sob comando da mesma legenda. Uma das possibilidades mais fortes, no momento, é que o Ministério do Trabalho continue com o PDT.

 

Ele não se opõe, entretanto, à eventual permanência dos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Paulo Bernardo, nos respectivos cargos. A justificativa é de que não se tratam de pastas periféricas, mas de postos estratégicos. Segundo ele, se esses quadros do PT demonstraram competência e lealdade à frente dos cargos, e desfrutarem da confiança da presidente eleita, deveriam continuar onde estão.

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