Petistas lançam movimento organizado contra a política econômica

Pelo menos 15 deputados federais, 12 estaduais e dezenas de vereadores petistas de todo o País deflagraram neste domingo o primeiro movimento organizado para tentar mudar a política econômica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo que para isso seja necessário convocar a população e organizar manifestações de pressão por novos rumos na administração federal, reforçando a geração de empregos e a distribuição de renda.Um seminário convocado pelos deputados federais reuniu cerca de 800 militantes do partido em São Paulo. Novos seminários estão sendo marcados em outros estados e, já nesta semana os organizadores deverão encaminhar ao comando do PT e ao governo um receituário básico e urgente à mudança.O prazo para que ela aconteça, sustenta os parlamentares, está se esgotando, sob risco do País não recuperar sua capacidade de crescimento. ?Se isso acontecer no segundo semestre já pode ser tarde demais?, alerta o economista da Unicamp, Ricardo Carneiro, um dos formuladores da campanha de governo de 2002. As propostas vão de encontro a itens previstos no acordo com o FMI. Todas elas porém são viáveis na economia globalizada e capitalista, destacaram os organizadores do seminário:1- Revisão da política cambial e reforço das reservas em moeda internacional, garantindo maior capacidade de negociação externa e diminuindo a vulnerabilidade da economia; 2- Redução drástica do superávit primário, garantindo mais recursos para investimentos;3- - Redução acentuada da taxa de juros de forma a alcançar ?rapidamente o patamar de um dígito; 4- Desindexação das tarifas públicas em relação ao dólar e flexibilização as metas de inflação que poderiam sair dos atuais 5,5% para 10%;5- Revisão do papel dos bancos públicos, favorecendo o microcrédito, financiando a produção e reduzindo o spread bancário. Uma sexta proposta, ainda sem consenso prevê o controle do fluxo de capitais.Além de discutir as politicas econômicas e sociais do governo os petistas reivindicaram o direito de discordar da cúpula oficial e partidária, e discutir alternativas. ?Não estamos aqui para desestabilizar nada nem pedir a cabeça do ministro Palocci - quem tem autoridade para fazer isso é o presidente Lula -, mas é hora de mudar e isso precisa ser feito já?, afirmou o deputado Ivan Valente (PT-SP), umdos organizadores do seminário Queremos um outro Brasil!. ?Estamos propondo soluções para que o governo possa retomar o papel do estado. Esse não é um movimento hostil ao governo.??O PT precisa se credenciar para continuar sendo a voz da esperança, da mudança?, disse o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues. ?Precisamos esclarecer que o PT não é o partido do ?sim senhor.? O encontro teve a participação de representantes de todas as correntes internas, inclusive do campo majoritário, que reúne o presidente Lula e o presidente do partido, José Genoino. ?Defendo a política econômica do governo, mas estou aqui porque estamos num momento de transição e as medidas para isso precisam ser debatidas?, declarou o deputado José Eduardo Cardozo, do campo majoritário. ?É momento de pararmos com esse bloqueio da discussão política.?O ministro da fazenda, Antonio Palocci foi convidado a participar do seminário mas não compareceu. A voz oficial ficou na boca do ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, que expôs os problemas de sua área e evitou entrar no debate econômico. Foi aplaudido, mas também ouviu cobranças. No telão montado fora do auditório lotado, no Sindicato dos Engenheiros, militantes ensaiaram algumas vaias mas em nenhum momento Patrus foi hostilizado. Tampouco se ouviu qualquer coro pedindo a saída do titular da Fazenda. A lista de propostas foi elaborada a partir da exposição de Ricardo Carneiro, e incluiu ainda reflexões tiradas das salas dos também economistas Carlos Eduardo Carvalho e João Alfredo, co-autores dos programas de 89, e da economista Laura Tavares, que debateu os programas sociais. O senador Eduardo Suplicy, que também participou do encontro, disse que conversou com Palocci pelo telefone, e reforçou o convite. Segundo ele, Palocci está disposto a discutir a política econômica. Tanto que foi à Febraban na semana passada. Palocci teria confirmado a Suplicy que irá na quinta-feira à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado falar sobre a política econômica, atendendo ao convite do próprio Suplicy e do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

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