Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Petistas já falam em vitória no 1º turno

Em comício em SP, Lula dá triunfo de Dilma como certo e pede empenho por Mercadante

Malu Delgado e Adriana Carranca,

21 de agosto de 2010 | 04h38

Liderados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os petistas deram largada ontem, em Osasco, à campanha eleitoral no Estado de São Paulo, deixando claro que já dão como certa a vitória de Dilma Roussef (PT) à Presidência num primeiro turno e vão concentrar esforços para a eleição de Aloizio Mercadante ao governo do Estado.

Usando mais uma vez o futebol como metáfora, Lula fez um apelo explícito para a eleição ser resolvida no primeiro turno no Estado. Pediu que os eleitores e petistas não pensem que a disputa em São Paulo só será resolvida no segundo turno. "A campanha que começou há poucos dias, nós começamos uma briga, temos que trabalhar é pensando no primeiro turno desta eleição. Imagina se o lutador de boxe entra no ringue e fala: ‘ah, se eu perder aqui, vou ganhar na outra’. Ora, meu Deus do céu. É importante acabar com essa bobagem de achar que o outro já está lá", afirmou o presidente, fazendo comparação com o fraco desempenho do Corinthians na Taça Libertadores da América. Segundo Lula, o time apostou numa vitória num segundo jogo que não foi concretizada.

Em raivosos ataques aos tucanos, que administram o Estado há 16 anos, o presidente deixou clara a estratégia em São Paulo. "Temos dois Estados para a gente priorizar. E um deles é São Paulo. Estamos começando hoje", afirmou. O outro, não citado por ele, é Minas Gerais.

 

Segundo ele, o candidato a vice de Dilma, Michel Temer (PMDB), cuidará da capital, enquanto a militância petista precisa entrar de cabeça na disputa de votos pelo interior. "Precisamos começar a viajar o Estado, e a ir para a rua, a ir para porta de metrô, para porta de ônibus." Lula apelou para que a campanha seja feita "com emoção", e não só "com materiais".

 

"Essa turma, que parece que muda de vez em quando, está governando São Paulo desde 1982. Alguns mudaram de partido, mas a matriz é sempre a mesma. Você é a novidade nestas eleições", disse a Mercadante, criticando os tucanos. "Aqui em São Paulo vocês poderiam pedir o (Geraldo) Alckmin para comparar quem é que cuida do povo pobre", ironizou o presidente, acusando a gestão do PSDB de boicotar programas federais no Estado.

 

Pedágios. Ao pedir votos para Mercadante, Lula endossou o discurso contra tarifas de pedágios que o petista vem fazendo em sua campanha. "Isso é roubo", disse, referindo-se aos pedágios nas estradas paulistas e fazendo comparações com preços cobrados em rodovias federais. "Nas estradas que nós fizemos concessões, de São Paulo a Belo Horizonte, uma pessoa com seu carro paga apenas R$ 7,90 em 590 quilômetros. Na Anhanguera, para ir até Ribeirão Preto, andar um pouco mais de 300 quilômetros, o pedágio é R$ 43. Isso não é pedágio, isso é roubo. Roubo ao povo brasileiro."

 

Lula prometeu fazer o que estiver a seu alcance para eleger Mercadante. Disse a ele que há "oportunidade extraordinária de ganhar". O presidente afirmou que os tucanos são arrogantes. "Aqui nem o ProJovem, nem isso eles fizeram porque tudo o que era política do governo federal eles fingiam que não era com ele. Um ministro meu para marcar audiência com o governador, que agora é adversário da Dilma, demorava seis meses porque eles eram muito arrogantes. Essa falta de humildade, de não reconhecer sequer o dinheiro que nós passamos para o Estado", reclamou.

 

Dilma também atacou os tucanos, sobretudo ao comentar o Bolsa Família e o Pro-Uni. Enfatizou que a oposição trabalhou para minar os dois programas e citou ação do DEM contra o ProUni no Supremo Tribunal Federal. "Nós fizemos o Bolsa Família, no momento mais difícil, quando faltava dinheiro logo no início do governo", afirmou.

 

Em tom de "já ganhou", Dilma também pediu votos para Mercadante. "Vim pedir que deem a São Paulo a mesma oportunidade que o povo brasileiro deu para o presidente Lula", disse. "Estamos todos juntos pedindo a vocês que elejam Mercadante, para que São Paulo tenha a mesma oportunidade que o Brasil teve, nesses oito anos, de ser transformado." Ao final, afirmou: "Eu vou ser a primeira presidenta do Brasil."

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