Petistas ignoram punição a réus

PT cria Código de Ética, mas adia discussão sobre instalação de Corregedoria para investigar os filiados

Wilson Tosta e Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2003 | 00h00

Em seu primeiro Congresso Nacional após a denúncia do mensalão, o PT não fez ajuste de contas e ignorou o tema punição para os petistas processados no Supremo Tribunal Federal (STF) por causa do escândalo, adiando para 2009 a discussão sobre uma Corregedoria para investigar eventuais desvios de seus filiados. Aprovou, porém, por amplo acordo entre tendências, a proposta de criar para a legenda um Código de Ética, a ser redigido por seu diretório nacional.A decisão foi comemorada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, um dos integrantes do grupo Mensagem ao Partido, que há meses lançou a proposição, à qual a tendência Construindo um Novo Brasil (ex-Campo Majoritário), a princípio, se opunha."No momento em que propusemos, teve uma resistência grande", disse Tarso ao Estado. "Mas mesmo quem era contra não teve condição de defender sua posição."O texto do acordo foi defendido pelo deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP), de Mensagem ao Partido, e pelo ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, de Construindo um Novo Brasil. "Cada centavo desviado dos cofres públicos é um centavo a menos na prestação de serviços públicos e na promoção da cidadania", disse Cardozo, enfático. "Não somos como os outros, temos a ética na política como afirmação central." Patrus disse que defende a criação do código desde a fundação da legenda. "Sempre achei uma contradição o partido ter Conselho de Ética e não um Código de Ética."O adiamento do debate sobre a criação da Corregedoria - proposta que o ex-Campo acusava de caráter policialesco - entrou na negociação. Os dois lados gostaram: os contrários se livraram do seu espectro e seus defensores acham que a discussão do código poderá facilitar a sua futura criação.O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), disse acreditar que o Diretório Nacional terá "maturidade" para criar um código que dê aos filiados condições de fiscalizar os dirigentes partidários e defendeu as atuais comissões de ética como instâncias para investigação interna. Ele destacou que nenhuma tendência propôs iniciativas em relação a "comportamentos individuais, pelo entendimento de que o congresso é um espaço para discussão de idéias, não de casos".Um dos processados pelo caso do mensalão, o ex-ministro José Dirceu afirmou que defende o código. "Acredito que o PT, mais do que um ter um Conselho de Ética, precisa de uma auditoria externa, precisa ter um conselho fiscal independente e o País precisa fazer a reforma política e administrativa."PEDOs petistas também decidiram por consenso antecipar para 2007 o Processo de Eleições Diretas (PED) das direções. A eleição foi marcada para 2 e 16 de dezembro (primeiro e segundo turnos), mas o ex-Campo Majoritário também teve de recuar. Inicialmente, defendia mandatos de quatro anos para os dirigentes que serão eleitos; depois, aceitou dois anos para os diretórios municipais e quatro para os demais. Diante da recusa de outros grupos, conformou-se com dois anos para os três níveis, com nova discussão em 2009.Na tarde de ontem já se especulava sobre quem poderá disputar a presidência do PT. Pelo ex-Campo, Berzoini, Marco Aurélio Garcia e a senadora Ideli Salvatti (SC); por Mensagem, Cardozo, o ex-ministro das Cidades Olívio Dutra, o prefeito de Guarulhos, Elói Pietá, e o deputado Jorge Bittar (RJ); pela Articulação de Esquerda, Valter Pomar.

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